Na Bahia, ACM Neto segue os passos do avô

O todo poderoso Antonio Carlos Magalhães (ACM) era ministro das Comunicações do presidente José Sarney.

O presidente da Radiobrás e subordinado a ACM era Antonio Martins.

O senador e ex-governador baiano Luís Viana Filho beneficiava-se com seguidas concessões de rádios na Bahia, viabilizadas pelo presidente José Sarney, seu amigo desde os tempos da União Democrática Nacional (UDN) e colega de imortalidade na Academia Brasileira de Letras (ABL).  

O presidente da Radiobrás foi até ACM alertá-lo sobre concessões de rádio e o diálogo deu-se no melhor estilo de ACM.

– O senhor tem de tomar cuidado com Luís Viana, porque ele está pegando rádios direto, daqui a pouco vai lhe faltar.

– Deixa ele tirar.

– Mas não há o risco de acabarem as concessões?

– Não, duplicam as minhas.

– Como assim? – quis saber o presidente da Radiobrás.

ACM foi didático:

– Toda vez que Sarney consegue uma rádio para Luís Viana, no pedido eu concedo duas para alguém meu, para mim, mas por meio de outras pessoas. Então, eu quero que Luís Viana peça muito. Eu não preciso pedir, eu só mando dois por um, sempre. Você pode fazer suas contas aí, quando ele estiver com 10 rádios eu estarei com 20.

Na Bahia petista, há 16 anos os baianos vêm assegurando votação expressiva ao Partido dos Trabalhadores, mesmo se tratando de um estado tradicional, nos moldes do coronelismo, que ainda se exterioriza em grande parte dos municípios.

Jaques Wagner foi eleito em 2006 com 52,89% dos votos e reeleito em 2010 com 63,83%. Rui Costa foi eleito em 2014 com 54,53% dos votos e reeleito em 2018 com 75,5%. Um estrondo que abalou líderes políticos adversários.

Agora ACM Neto, candidato ao governo do Estado, parece que está abocanhando uma média de 2 por 1 dos votos, contra o candidato do PT Jerônimo Rodrigues, ex-secretário de Educação do governador Rui Costa.

Assim como fazia seu avô com as concessões de rádio, ACM Neto está indo na linha do 2 por 1.

Das duas, uma: ou o lero-lero dos petistas já não convence mais ou o homem é bom de voto mesmo.

Sondagem do Paraná Pesquisas divulgada em 06/09/2022 aponta 52,9% para ACM Neto (União Brasil) e 20,5% para Jerônimo Rodrigues (PT).

Ainda é cedo para vislumbrar o resultado das urnas em outubro, com ou sem segundo turno, mas o PT e o lulopetismo parecem preocupados.

Post scriptum:

A conversa entre ACM e o presidente da Radiobrás está no livro Sarney, A Biografia, da jornalista Regina Echeverria, Leya/Texto Editores, São Paulo, 2011).

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Chorrochó, 68 anos. Há o que comemorar?

Socorro Menezes ao lado do marido Virgílio Ribeiro de Andrade/Álbum de família

Nesta data, 12 de setembro, alegra-me registrar, nestes dispersos e inocentes alfarrábios, dois aniversários: do município de Chorrochó que, aos trancos e barrancos, alcança 68 anos de emancipação política e também da professora Maria do Socorro Menezes Ribeiro, filha de Izabel Argentina de Menezes (D. Biluca) e de Dorotheu Pacheco de Menezes, esteio e baluarte da luta pela emancipação de Chorrochó.

D. Socorro Menezes, que é esposa do notável Virgílio Ribeiro de Andrade, vive permanentemente no altar de minha admiração – e viverá sempre. Aprendi a admirá-la nesses muitos anos de tropeços, quedas e trôpego caminhar. A admiração é extensiva a ambos.

Também faço outro registro neste aniversário do município.

A Câmara Municipal de Chorrochó tem um histórico de apatia e ociosidade quanto à construção do futuro do município, não obstante a atuação de alguns presidentes que dirigiram a Edilidade, a exemplo de Pascoal Almeida Lima Tercius (Tércio de Fafá), sujeito dinâmico, abalizado e inteligente, embora a Câmara de Vereadores, por óbvio, não se resuma ao presidente, mas à Edilidade como um todo.

Tirantes alguns interregnos louváveis, a Câmara de Chorrochó mais se destacou como simples anuente de decisões e de atos do Poder Executivo Municipal e isto dificultou, em anos, o desenvolvimento do município. Faltou inquietude, vigilância, dinamismo e olhar atento às necessidades da população.

Historicamente, a Câmara tem sido generosa em dizer amém ao Poder Executivo Municipal e não avançou em direção aos interesses mais prementes da sociedade.

Todavia – e apesar de tudo isto – continuo esperançoso quando ao futuro de Chorrochó.

Esperança é como água no leite. Sempre há.

De qualquer modo, como já escrevi muito sobre este meu querido município de Chorrochó, hoje quedo-me mais aos seus encantos, até para contribuir com aqueles leitores que acham meus textos jurassicamente longos e outros tantos que os entendem inconvenientes e abelhudos.

O escritor e jornalista francês Georges Bernanos (1888-1948) dizia que “a única diferença entre um otimista e um pessimista é que o primeiro é um imbecil feliz e o segundo é um imbecil triste”. Insisto em ser otimista, neste particular: que nos próximos aniversários, os munícipes chorrochoenses tenham o que comemorar.

A data é propícia para citar os nomes daqueles que, dentre outros, contribuíram ou contribuem para que Chorrochó ainda permaneça em pé, embora cambaleando:

Francisco Pacheco de Menezes, Eloy Pacheco de Menezes, Aureliano da Costa Andrade, Dorotheu Pacheco de Menezes, José Calazans Bezerra (Josiel), Antonio Pires de Menezes (Dodô), Pascoal de Almeida Lima, Sebastião Pereira da Silva (Baião), José Juvenal de Araújo, João Bosco Francisco do Nascimento, Paulo de Tarço Barbosa da Silva (Paulo de Baião), Rita de Cássia Campos Souza e, por último, Humberto Gomes Ramos.

Que Deus ilumine o atual prefeito e lhe dê muita disposição para o trabalho. Dizem as más línguas – e as boas também – que está lhe faltando essa disposição. E que os vereadores enxerguem, além da alvorada que eles nunca veem, novos horizontes, independentemente de corrente ideológica, viés político e coloração partidária. E de campanhas políticas.

Que o prefeito tenha êxito em sua administração e os vereadores tenham sucesso em suas atuações em prol do município e de seu povo.

Parabéns Chorrochó.

Parabéns D. Socorro Menezes.

Igreja de Senhor do Bonfim de Chorrochó


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Regina, doce e admirável nome de Patamuté

Regina/Perfil de Simone Reis/facebook

Perguntam-me, de quando em vez, porque gosto de falar de pessoas.
A resposta vem atarantada, nem sempre convincente. Mas cronista é assim mesmo, uma espécie de memorialista, imaginoso às vezes, apoucado, confuso e inconveniente, outras tantas.
O cronista escreve sobre fatos, pessoas, circunstâncias, andanças, amigos, impressões, tropeços, encontros, desencontros e outras coisas mais ou tudo mais e até de distância se, como eu, vive longe de seu habitat.
Regina, uma das criaturas mais meigas que conheci e convivi em Patamuté, fez aniversário no último dia 08/09/2022.
Deixo de declinar a data de nascimento de Regina, por duas razões: este é assunto para cartório do registro civil; e, ademais, não fica bem, segundo as modernas regras de etiqueta, andar por aí, citando a idade de uma senhora adiantada em anos.
Embora integrante da velha guarda, quando não existia esse tal rigorosíssimo observar das etiquetas sociais, costumo respeitar, sempre que possível, as regras sociais. Como é difícil nos dias de hoje!
Mas o fato é que Regina alcançou mais um degrau de sua bela existência, que todos admiramos e aqui fica minha torcida para que alcance outros degraus, muitos degraus na íngreme subida da vida.

Regina construiu seus primeiros passos familiares em Patamuté, mas se mudou de lá há alguns anos. Entretanto, em Patamuté ficaram as saudades, as lembranças, o impulso para seu caminhar.
Minha memória ainda guarda algumas imagens de Patamuté, que se tornaram difíceis de esquecer: Regina com sua primeira filha Kelly Cristine nos braços, acalentando-a e Walter Gomes Reis ao lado, admirando ambas.
Walter Gomes Reis era um senhor educado, atencioso, um gentleman. Em Patamuté, todos da época respeitávamos, assim como a seus pais, José Gomes dos Reis e Donana, que fizeram parte do núcleo familiar de Regina .

José Gomes dos Reis e Donana/Perfil de Alessandra Reis no facebook

O certo é que gosto de falar de pessoas, sim. E quando essas pessoas são boas, a tarefa é gratificante.

A história de vida de todos nós passa, necessariamente, pela convivência com pessoas que foram ou são importantes em nossa vida, em nosso caminhar.

Regina é descendente da ilustre família Souza, da Fazenda Tamburil.

Parabéns para a querida e amiga aniversariante.

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João Gomes, o deslumbrado

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida” (Maurice Switzer)

O cantor de “piseiro” João Gomes, nascido em Serrita e criado em Petrolina, sertão pernambucano, ainda praticamente em início de carreira, perdeu valiosa oportunidade de, diante do mundo, aliar-se à decência de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Messias Holanda, Trio Nordestino, Flávio José e outros tantos respeitados integrantes da cultura nordestina.

Deslumbrado com o sucesso do Rock in Rio, João Gomes puxou um coro de ofensas e palavrões contra o presidente da República, seguindo a linha de outros tantos, que misturam arte com imbecilidades.

Quem lê este blog sabe que sou contra desrespeitar autoridades democraticamente constituídas. E aqui não importa se vereador, prefeito, governador, deputado estadual, deputado federal, senador, presidente da República, secretários de governo, et cetera.

Outrossim, não importa se o presidente da República é de esquerda, de direita, de centro ou de qualquer lado ou espectro, se Bolsonaro, Lula da Silva ou qualquer outro.

Estando lá, democraticamente eleito pela vontade soberana do voto popular, no exercício de suas funções e habilitado a tomar decisões, merece respeito de todos os brasileiros.

Se não concordamos com eles, que esperemos a oportunidade de derrubá-los nas urnas, através do voto.

Melhor calar, se não souber o que dizer. Ou não tiver o que dizer.

Jamais ofendê-los.

Além de falta de educação é imbecilidade.

João Gomes se deslumbrou com a conta bancária e com a fama e se achou no direito de igualar-se a outros artistas que, como ele, não sabem o que é conviver com os contrários e com os antagonismos, essência de toda e qualquer democracia.

Jovem, deslumbrado e inexperiente, João Gomes ainda terá tempo de seguir o caminho de honrados nomes da cultura do Nordeste, apear-se da pequenez e crescer.

A imprensa noticiou que o novel cantor nordestino depois pediu desculpa através das redes sociais.

E daí?

Pedir desculpas não é suficiente para robustecer seu caráter, talvez ainda em formação.

araujo-costa@uol.com.br

Em Patamuté, um vaqueiro quase centenário.

Josiel Calazans e Mundinho

Aproxima-se a Festa dos Vaqueiros de Patamuté, que já virou tradição do distrito curaçaense. Em 2022, acontecerá nos próximos dias 16, 17 e 18 do corrente mês de setembro.

Quando a festa foi criada eu não morava mais lá, mas acompanho as notícias, sempre que possível, para desanuviar a saudade do lugar.

Entretanto, conheço lá alguns vaqueiros de meu tempo, ainda vivos, graças a Deus. Talvez não usem mais gibão, guarda-peito, perneira e chapéu de couro, mas amam a vida no campo e não se separam das tradições rurais que sustentaram o criar de suas famílias.

Hoje lembro de Raimundo Brandão, o Mundinho mais querido de Patamuté, rodeado sempre de familiares, também queridos, amigos e admiradores. Símbolo do lugar, orgulho de sua gente.

Se não me falha a memória – e a memória sempre falha – Mundinho mora na Fazenda Almeida, nas redondezas de Patamuté. Se errei o nome da Fazenda, não tem importância. Isto não diminui, nem ofusca a presença de Mundinho por lá.

Deixo a foto dele aqui, que tirei do perfil de Josiel Calazans, ilustre filho de Chorrochó, no facebook.

É bom sempre lembrar as pessoas boas, que nos dão exemplo de vida nesse difícil caminhar.

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Brasil, independência sempre.

“Potência de amor e paz, este Brasil faz coisas que ninguém imagina que faz”. (Hino do Sesquicentenário da Independência, 1972).

O Brasil é maior do que algumas passageiras e indesejáveis autoridades de nossos Três Poderes, inobstante muitas delas terem sido colocadas lá mediante a soberania do voto popular e outras tantas através das regras democráticas vigentes. E a democracia é o nosso sustentáculo sem o qual todos claudicamos.

O Brasil não é daqueles que se arvoram donos da Nação, tampouco dos que acham que devem mandar atropelando as leis, a Constituição da República e, em consequência, o ordenamento jurídico nacional como um todo.

O Brasil não é daqueles que arranham diuturnamente o esteio jurídico nacional e espezinham nosso direito de contestar, discordar e dizer a verdade, verdade que eles não se dispõem a ouvi-la.

O Brasil não é daqueles que tolhem a liberdade de pensamento, sufocam a voz da sociedade – ou de alguns segmentos dela – e limitam ilegalmente o direito de expressar, de dizer, de gritar, de apontar erros, de pedir socorro diante das atrocidades.

O Brasil não é daqueles que são indiferentes à fome de milhões de brasileiros, ao tempo em que se encastelam em palácios e mansões e se lambuzam em mordomias sustentadas pelos impostos que todos pagamos.

O Brasil não é daqueles que entendem que assalto aos cofres públicos deve ser relativizado e esquecido, mas daqueles que entendem que os recursos públicos não devem ser subtraídos da sociedade.

O Brasil não é daqueles que retiram à força ou restringem os instrumentos que nos levam aos meios de comunicação postos ao nosso alcance e são fundamentais para o exercício da cidadania e evitam ofuscar a transparência que eles não têm interesse que a sociedade conheça.

O Brasil não é daqueles que se escondem atrás do poder para, através dele, elevarem suas mediocridades acima de nossas consciências.

Lembremos Ruy Barbosa (1849-1923), sempre atual, atualíssimo:

“A Pátria não é ninguém, são todos. Os que a servem são os que não emudecem, não se acovardam.

Cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.”

O Brasil, não é dos que “furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse”, como disse Padre Vieira no Sermão do bom ladrão.

O Brasil não é dos que dilapidam os cofres públicos.

O Brasil não é daqueles que desmoronam nossas esperanças e das futuras gerações.

O Brasil não é dos arrogantes e dos imbecis.

Os imbecis são sempre arrogantes.

Lembremos, ainda, o pedido de socorro de Ruy Barbosa, em sua conhecida Oração aos Moços: “Brasil de ontem e amanhã! Dai-nos o de hoje que nos falta”.

Brasil, independência sempre.

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Ditadura de armas, ditadura de toga

Sabem os leitores inteligentes e atentos deste Blog, que são todos, graças a Deus, que não sou lulopetista e não sou bolsonarista.

Emiliano José, escritor e petista baiano de respeito, jornalista sério e, sobretudo, político de caráter irrepreensível, um dos homens honrados da esquerda da Bahia, conta a história, em Lembrança do Mar Cinzento.

O contexto é o início da ditadura de 1964, 02 de abril.

O deputado esquerdista Mário Lima, baiano de Glória, fundador do Sindicato dos Petroleiros, procurou o general Humberto de Mello no quartel-general do Exército, para inteirar-se da situação política.

O então deputado Mário Lima, por óbvio defensor dos trabalhadores, foi recebido aos gritos pelo todo poderoso general Humberto de Mello, chefe da então Região Militar em Salvador, que descontrolado, foi enfático:

– Vocês são uns baderneiros! Fizeram greve em Mataripe, estão querendo subverter a ordem.

– General, sou parlamentar. Vim dialogar e peço respeito.

O general retrucou, arrogante e irredutível:

– O senhor está preso – E mandou trancafiá-lo.

O esclarecimento se faz necessário. Era um deputado que estava sendo preso, sem investigação, sem processo, sem motivo, sem amparo constitucional, sem advogado, sem quaisquer procedimentos processuais.

Parte da esquerda radical do Brasil, que hoje se deleita com os desmandos dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral e está sendo beneficiada com as decisões desses ministros e principais cabos eleitorais de Lula da Silva, poderá em breve ouvir a indesejável e ilegal sentença:

– O senhor está preso.  

É preciso ter muita cautela – mais do que isto, ter inteligência – para atentar como estão agindo ministros do STF/TSE que nunca foram magistrados, não sabem o que é redigir uma sentença, desconhecem a nobreza da função de juiz e desprezam o direito de defesa. Eles têm poder monumental e contam com a ausência covarde de fiscalização da sociedade, manejam o dinheiro público dos impostos que pagamos e, conseguintemente, se acham os donos do Brasil.

Extirpem dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral os jatinhos, caviares, lagostas, centenas de assessores, mansões, papel higiênico que pagamos, passeios internacionais, uísques envelhecidos, salários estratosféricos, et cetera e certamente eles se tornarão humildes – ou pelo menos – começarão a respeitar os brasileiros, os direitos dos brasileiros e a Constituição da República.   

Com todo esse poder econômico e toda essa falta de fiscalização é um passo para que eles se transformem em ditadores de toga, o que está acontecendo assustadoramente. Pior: com o olhar complacente de todos nós que nos tornamos covardes, essencialmente covardes.

Repito: não sou bolsonarista, não sou lulopetista, mas é importante observar: a ditadura de toga é tão ruim quanto a ditadura de armas.

Portanto, pelo andar da carruagem, inocentes e deslumbrados lulopetistas de hoje – e não somente lulopetistas – que, eventualmente, um dia venham contrariar os ministros do STF e TSE, poderão ouvir deles uma sonora voz, sem nenhuma chance de defesa:

– O senhor está preso.  

O Brasil precisa acordar e investir na educação. Às pressas, urgentemente.

Os brasileiros precisam estudar, jovens principalmente. Precisamos abrir escolas e desprezar os medíocres, sejam do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Eles são muitos.

Fanatismo de qualquer lado é falta de conhecimento e de educação.

As redes sociais estão infestadas de radicais defensores de Lula da Silva e do presidente Bolsonaro.

A maioria não tem conhecimento do que diz, como diz, porque diz. Xinga e ofende simplesmente.

Uma disparidade, uma temeridade, um perigo.   

araujo-costa@uol.com.br

Deputado Mário Júnior pode ser a esperança do sertão

Jornalista às vezes é bicho inconveniente.
Há alguns anos, escolhi o horário do café da manhã, que o costume do sertão reúne a família – hoje nem tanto como antigamente – e telefonei para velho e experimentado líder político sertanejo, que o ostracismo o jogou nos braços da indiferença eleitoral.
Feitos os salamaleques de praxe, perguntei se ainda tem algum líder político de futuro no sertão. Ou, pelo menos, à moda antiga.
“Rapaz, não tem não. Só aparece por aqui, em tempo de festa, Mário Negromonte Júnior”. Foi a resposta reticente e pessimista, mas esclarecedora e um tanto óbvia.
Parece que agora as visitas do deputado têm sido mais frequente em suas bases eleitorais.
Mário Sílvio Mendes Negromonte Júnior, que tem nome de nobre português, é um jovem deputado federal de 42 anos, eleito pelo Partido Progressista da Bahia (PP).
O deputado Mário Júnior, nascido em Paulo Afonso, tem sólidas raízes no município de Glória, que o progresso hidrelétrico mudou o traçado original, engoliu tradições e suor dos antepassados e o renomeou de Nova Glória, num claro acinte à bonita e rica história de Curral dos Bois e Santo Antonio da Glória.
Terra do lendário Petronilo de Alcântara Reis, conhecido como coronel Petro e de seu ínclito neto Raimundo Reis de Oliveira, escritor, jornalista, político e cronista, Glória mantém intacta sua história de homens públicos respeitáveis.
O lastro biográfico do deputado Mário Júnior vem de longe. O avô Dionízio Pereira foi vereador e prefeito de Glória e seu respeitabilíssimo tio Dr. Adauto Pereira de Souza, honra e glória do sertão, foi prefeito de Paulo Afonso (1963-1966). Mais do que isto: era respeitado em todo o sertão da Bahia.
A mãe e Doutora Ena Vilma Pereira de Souza Negromonte foi prefeita de Glória e o pai Mário Negromonte tem uma trajetória política que vai de deputado estadual a deputado federal por diversos mandatos, passando pelo Ministério das Cidades. Hoje, salvo engano, é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.
Advogado com extensão em Harvard (EUA), o deputado Mário Júnior parece despontar como uma esperança para a caatinga.
O sertanejo gosta de abraçar seus líderes, embora os líderes só gostem de abraçá-lo em anos de eleição.
O Dr. Adauto Pereira de Souza nunca abandonou a caatinga, onde tinha amigos leais na amizade e fiéis na política. Assim faziam os políticos daquela geração.
Mário Júnior pelo menos tem cavado algumas emendas parlamentares para a região e, sabe-se, é um parlamentar razoavelmente ativo.
Se se desviar do caminho que seguem os políticos tradicionais, terá futuro.
Vamos ver no que vai dar.
araujo-costa@uol.com.br

Conversa de botequim e de saudade

Confesso que nunca fui boêmio, propriamente.

Minhas incursões nas noites deveram-se aos arroubos da idade e, em muitas vezes, para acompanhar amigos que gostavam da noite e participar de suas conversas agradáveis, intermináveis, inesquecíveis.

Contudo, também confesso, muitas vezes apreciei a chegada da alvorada e “peguei o sol com a mão”, como dizia Luiz Gonzaga em seu Forró no escuro, ainda no tempo do candeeiro.

Quando não se sabia o que era brega – ou pelo menos – a gente não se preocupava com essas baboseiras, frequentemente amigos passavam a noite, ouvindo Quem mandou você errar e A vida é mesmo assim, com Claudia Barroso; Devolvi, Lama e Fracasso, de Núbia Lafayette; Doce amargura e Suave é a noite com Moacyr Franco; Tortura de amor, de Waldik Soriano e outras músicas da época que marcaram minha geração.

Nesse tempo surgiram as amizades – bons amigos, graças a Deus – e muitas dessas amizades perduram até hoje.

Todavia, muitos desses amigos já se foram, uns ainda jovens, outros já no entardecer da vida foram surpreendidos pela morte, essa inevitável visitante.

Tenho um amigo, já octogenário, que não via há anos, por uma série de razões, dentre elas um dos meus defeitos: sou relapso e desatencioso com os amigos, embora eles me entendam, exatamente por serem amigos.

Na correria de São Paulo, encontrei-o frágil, amparado por uma bengala, olhar humilde e expressão inocente, caminhando com dificuldade por uma avenida enorme, seca, barulhenta, entre passantes indiferentes.

Eu às voltas com a exiguidade do tempo e compromissos de agenda e ele, emocionado com o encontro, parecia um tanto desconexo, talvez pela aspereza da cidade grande.

Fiz-lhe algumas perguntas como é praxe nesses encontros casuais.

Humilde e reticente disse, sem completar o raciocínio: “Rapaz, me perdi, tem uma rua ali, aquela onde moro, você sabe, diabo, pareço velho…”. E apontava para um lado e para outro, braços levantados, gestos largos, raciocínio confuso, memória esburacada.

Fiquei preocupado. Minha emoção desabou.

O relógio me atrapalhando, confrontando-me com a necessidade de ser-lhe útil, solidário, a lembrança do passado e de nossa amizade a me cutucar.

Deixei-o nas imediações de sua casa e despedi-me mais frágil que ele, refletindo sobre sua situação de desamparo diante da certeza e das armadilhas da velhice.

Chorar nesses momentos é muito fácil.

Minha fortaleza e arrogância se desmoronaram naquele momento.

Depois, angustiado, fui relembrando nossas conversas de décadas atrás, a alegria dos encontros, o bate papo desinteressado, as músicas que ouvíamos em tempo de serestas.

Meu amigo está fragilizado, diminuído, carente diante da vida.

Confessou-me lhe terem escapado as esperanças.

Observei seu olhar vazio, semblante maltratado pelo tempo e pelo sofrimento.

Mas ele já sorriu muito. Sou testemunha. E o sorriso também deixa cicatrizes boas, inolvidáveis cicatrizes.

araujo-costa@uol.com.br      

Fragmentos dispersos de Chorrochó: Estefânia Rios e Vivaldo Cardoso de Menezes

Escrevinhador abestalhado, mas nunca presunçoso, de quando em vez costumo bisbilhotar os emaranhados difíceis da história.

Limito-me mais – e quase sempre –  às coisas e circunstâncias do sertão, porque lá estão minhas raízes, minhas saudades, a formação de meu viver e, sobretudo, minha gratidão à terra e aos amigos.   

Isto não deixa de ser um  costume e errância de jornalista, que xereta a vida alheia para contar aos outros à sua maneira, sem a pretensão de arranhar a história ou os fatos.

Vivaldo e Estefânia/Arquivo da família

Hoje cuido do músico, político e servidor público Vivaldo Cardoso de Menezes, chorrochoense de boa cepa, filho de Anna Mattos de Menezes (Quininha) e João da Matta Cardoso Varjão (João Mattos).

Vivaldo se casou com Estefânia Mascarenhas Rios Menezes com raízes fincadas em Riachão do Jacuípe, salvo engano. Com ela teve onze filhos: Maria da Paz Rios Menezes, Ana Judite Rios Menezes Santos, Margarida Maria Rios Menezes, Neuza Maria Rios Menezes de Menezes, Tereza Maria Rios Menezes, Lúcia Maria Menezes Silva, Marta Maria Rios Menezes, Vivaldo Cardoso de Menezes Filho, Maria do Carmo Rios Menezes, Márcia Maria Rios Menezes e Maria Madalena Rios Menezes.

Nesta quadra da vida, a família de Estefânia e Vivaldo diminuiu um pouco no que tange aos filhos. A passagem do tempo ajustou-se à vontade de Deus, mas a descendência ainda é numerosa.  

Refiro-me aos nomes, citando-os tais como os conheci há décadas. Entretanto, a memória esburacada pode colocar-me em esparrela e me empurrar em direção a armadilhas monumentais.

Entretanto, o cerne é tão somente o mesmo: a memória de Estefânia e Vivaldo e de sua descendência, tendo em vista que eles enriqueceram as tradições e a história de Chorrochó.

Essa descendência formou, em Chorrochó, uma juventude bonita, educada, essencialmente voltada à boa convivência que, aliás, num certo tempo coincidiu com o período da administração do prefeito José Calazans Bezerra (Josiel),cunhado de Vivaldo.

Portanto, é de todo recomendável uma observação relativamente aos nomes, que podem ter sofrido eventuais alterações, em razão de casamento, por exemplo.

De qualquer modo, Vivaldo Cardoso de Menezes se destacou em Chorrochó, na condição de político e vereador. Foi presidente da Câmara Municipal à época em que Dorotheu Pacheco de Menezes exerceu o mandado de prefeito do município em seu primeiro mandato (1959-1963).

Vivaldo era irmão de Francisco Arnóbio de Menezes, Ademar Cardoso de Menezes, Maria Menezes Mattos Bezerra e Emanuel Cardoso de Menezes, que constituíam um esteio respeitável das estruturas familiares de Chorrochó.

Maria Mattos, elegante e decente senhora da sociedade chorrochoense, casou-se com José Calazans Bezerra (Josiel), filho de Quijingue, à época município de Tucano. Terceiro prefeito de Chorrochó (1963-1966), respeitoso e decente, Josiel construiu um ambiente saudável social e politicamente no município.

O retrovisor da história de Chorrochó ainda atesta sólidos vínculos de Estefânia e Vivaldo com o município.

araujo-costa@uol.com.br

Observação: A foto de Estefânia e Vivaldo que encima esse artigo é do perfil da filha Ana Judite Rios Menezes no facebook.