Eleição presidencial: juízo, equilíbrio e diálogo

“Nem sempre fui velho como sou hoje e nem sempre fui jovem como sou hoje. Começa-se incendiário e acaba-se bombeiro. Eu inverti: comecei bombeiro, mas não quero acabar incendiário” (Tristão de Atayde, pensador católico tradicionalista, 1893-1983).

A reflexão pode nos levar à maturidade ou à certeza de que tivemos chance de trilhar caminho melhor até aqui, mas não enxergamos a indicação na encruzilhada.

Neste ano de eleições presidenciais, será necessário não só reflexão, mas cuidado para não cairmos no despenhadeiro do radicalismo, do fanatismo e da ofensa gratuita.

O que devemos colocar na urna é o voto e não a honra.

“Ao rei tudo, menos a honra” (Calderón de la Barca).

Quem está do lado contrário não é necessariamente ruim ou inimigo, apenas pensa de modo diferente.

Quem anda na contramão não significa que venha nos agredir, apenas caminha noutra direção.

Se Lula da Silva ganhar a eleição, já o conhecemos. O Brasil não vai acabar.

Aliás, se depender das sondagens dos tendenciosos institutos de pesquisas financiados pela esquerda, Lula terá 100% dos votos. Os demais postulantes não serão votados.

Se o presidente Bolsonaro for reeleito, também já o conhecemos. O Brasil não vai acabar.

A chamada “terceira via” está capengando e certamente não será realidade, a julgar pelo quadro atual, em razão da vaidade dos pretendentes. Ninguém quer ceder nada.

O ex-juiz Sérgio Moro é amador, aventureiro, inexperiente, atrapalhado, caráter duvidoso, politicamente inocente. Está à procura de foro privilegiado com receio de cair nas armadilhas do Partido dos Trabalhadores.

Mais cedo ou mais tarde vai cair nas garras dos radicais do PT e já está procurando guarida na imunidade. Vai acabar membro do Congresso Nacional, abrigo de corruptos impunes, espertos e carrapatos do dinheiro público, excetuado alguns poucos honestos que ainda gravitam por lá.

O ex-governador cearense Ciro Gomes aponta sua metralhadora giratória para todos os lados e não sai do lugar. É o que sabe fazer. É ingrato com seu guru Lula da Silva e ingratidão é um defeito terrível.

O governador paulista João Dória é pernóstico, pedante, vaidoso, moralmente indecente e politicamente inconveniente. Traiu os próprios companheiros de partido. Difícil ganhar eleição presidencial, essa ou outra. Nem os paulistas gostam dele.

No que menos João Dória pensa é no bem do Brasil. Pensa que o Brasil se resume em suas mansões, seus negócios milionários e seus jatinhos.

Os demais nomes que despontam no horizonte político são risíveis, por enquanto.

É preciso ser jovem para ter esperança no amanhã e velho para saber distinguir a diferença quanto à escolha do caminho.

O Brasil não precisa de incendiários.

Não é tempo de convocar bombeiros.

Neste 2022 o Brasil precisa de juízo, equilíbrio e diálogo.

araujo-costa@uol.com.br

O senador-holofote e outras idiotices

O presidente Bolsonaro, em mais um de seus destemperos verbais, chamou o governador do Maranhão de “gordo”, o que desagradou à turma do politicamente correto, que costuma saudar “a todos e a todas” e acha que está falando vernáculo castiço.

Há algum tempo, não muito longe, fui à missa. Costumo ir à missa. O padre, que certamente trocou os livros de gramática pelos compêndios de ideologia política, começou assim: “bom dia a todos e a todas”.

Retirei-me imediatamente. Não havia mais o que ouvir ali daquele padre. Ele deve ter faltado às melhores aulas do seminário e desprezado as preleções dos professores de português.

Se um sacerdote não entende as mínimas regras da Língua Portuguesa, como interpretar a Bíblia e os princípios teológicos?  

Flávio Dino, que é um sujeito espirituoso, levou a provocação de Bolsonaro na esportiva e o mandou ir “trabalhar”, depois de chamá-lo de “fracassado e bisonho” (O Globo, 12/01/2022).

Resta saber se o espevitado e desocupado senador-holofote Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo para Bolsonaro explicar-se judicialmente.

Neste recesso parlamentar, Randolfe Rodrigues deve estar entre a cruz e a espada: não sabe se pendura melancia no pescoço para aparecer ou se continua correndo atrás dos holofotes da imprensa lulopetista, o que dá no mesmo.

Sempre entendi que presidente da República não deve sair por aí, falando o que pensa, mormente se o que fala é besteira e geralmente é, principalmente se ao presidente falta-lhe um parafuso.

Vivi na ditadura militar.

Todos os generais-presidentes, mormente os mais “linha-dura”, Arthur da Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici tinham seus porta-vozes, que falavam em nome do governo.

Assim, os demais, até a redemocratização.  

Os presidentes só falavam em rede nacional de rádio e televisão em ocasiões especiais.

Bolsonaro não segue a liturgia do cargo, não sabe o que é liturgia do cargo.

Bolsonaro confunde democracia com deturpação de regras elementares.

Presidente da República não deve falar o que pensa, se pensa. No fundo, o presidente deve curvar-se à hipocrisia, àquilo que o povo quer ouvir. E o povo gosta de ser enganado.

O presidente Bolsonaro sai, por aí, falando a torto e a direito e acaba dando munição para a oposição e a imprensa, que no fundo é a mesma coisa, nesta quadra do tempo.

Os grandes órgãos de imprensa passaram a ser redutos de oposição ao governo e extensão de partidos políticos de esquerda.

Na campanha eleitoral de 2022, morreremos de tédio ou nossos tímpanos serão estourados.

Que Deus nos proteja das lorotas de Lula da Silva, das imbecilidades de Bolsonaro, do amadorismo de Sérgio Moro, das sandices de Ciro Gomes e das idiotices do governador-pavão João Dória, dentre outras temeridades.

São muitas.

araujo-costa@uol.com.br

Patamuté, registro de uma saudade

Em primeiro plano, da esquerda para a direita, Paulo Souto, Theodomiro Mendes, Etelvir Dantas e Adonai Matos Torres (álbum de família de Adonai)

Presumo – e é apenas presunção, nada mais do que isto – que a foto acima tenha sido tirada em campanha eleitoral no distrito de Patamuté, município de Curaçá.

Retirei dos registros dos familiares de Adonai Matos Torres no facebook e a reproduzo sem autorização da família.

Sem jactância, guardo a modéstia de ser amigo da família, com demasiado orgulho e também de ter sido amigo de Adonai e de sua dileta esposa Cleonice Pedroza Torres, honra e glória de Patamuté.

Cometi essa imprudência, em nome da história. Há outro meu amigo na foto: Theodomiro Mendes da Silva sobre o qual já escrevi muito em crônicas e artigos.

Veem-se, salvo engano: Paulo Souto, que foi governador da Bahia e senador da República (e ainda tinha cabelos); Theodomiro Mendes da Silva, que foi prefeito de Curaçá em duas oportunidades, 1973/1977 e 1983/1988; Etelvir Dantas, respeitado empresário de Juazeiro, à época dono da rede de supermercados Pinguim e aliado de Theodomiro e também deputado federal pelo Partido Democrático Social (PDS); Adonai Matos Torres, líder político de Patamuté, que foi vereador de Curaçá e figura respeitável até a morte.

A memória de Adonai, na condição de homem público, continua intacta, exemplo de correção de caráter e honestidade.

Confesso que vi, muitas vezes, Adonai brigar em defesa de sua honra. Ele não admitia arranhões à sua honra e tampouco de sua família.

Não tive condições de identificar as demais pessoas que constam na foto, pelo que peço escusas e aceito ajuda para corrigir o texto, em nome da história de Patamuté e de Curaçá.

É um registro despretensioso de saudade. Só isto.

araujo-costa@uol.com.br

Observação:

Theodomiro Mendes Filho esclarece que o evento não se trata de campanha política, mas “a chegada da energia elétrica ao distrito de Patamuté, até então era gerador movido a óleo diesel. Dr. Paulo Souto à época secretário de minas e energia do Estado e ao fundo a professora Terezinha Conduru”.

Wagner Reis esclarece que a professora Terezinha Conduru também aparece na foto e que, ao fundo, vê-se a casa dos seus avós José Gomes Reis e Donana. Detalhe: Wagner também identificou a Belina marrom de seu pai José Gomes Reis Filho.

Maria Gorete esclarece que o senhor que se encontra entre Adonai e a professora Terezinha é seu pai João Mendes de Souza (João Maroto).

Agradeço a todos pelos esclarecimentos.  

Registro de uma saudade

Da esquerda para direita: Francisco Ribeiro, Afonso Menezes, Neusa Rios, Juracy Santana e José Osório de Menezes.

Esta foto é histórica e me foi enviada pelo amigo Dr. Francisco Afonso de Menezes, que hoje se divide entre as belezas sanfranciscanas de Juazeiro e o encanto indizível de Salvador.

Aliás, em Juazeiro, Dr. Francisco Afonso foi um dos pioneiros da Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco (FAMESF), marco do ensino agronômico da região.

Trata-se do registro de uma saudade, sem mais salamaleques, tampouco texto prolixo e extenso.

A foto registra, em Chorrochó, sertão da Bahia, ainda na juventude: Francisco Ribeiro da Silva, professor; Francisco Afonso de Menezes, engenheiro agrônomo e historiador; Neusa Maria Rios Menezes de Menezes, professora e historiadora; Juracy Santana, mecânico renomado; José Osório de Menezes, pecuarista.

É possível que nesse tempo eles ainda não ostentassem os títulos com os quais exerceram suas profissões com zelo e dedicação. Eram ainda muito jovens, embevecidos com as peripécias da juventude.

É apenas um registro, uma saudade. Coisas do tempo. Ou da memória.

araujo-costa@araujocosta

Observação:

Na primeira versão deste texto, este idiota escrevinhador havia registrado que a última foto da direita é de João Bosco (Joãozito).

Embora tenha convivido com ambos, errei grosseiramente a identificação.

Entretanto, Neusa Menezes corrigiu imediatamente, pelo que agradeço.

Política no seu lugar, STF no seu lugar.

Aluízio Campos (1914-2002), paraibano de Campina Grande, era consultor jurídico, membro do conselho deliberativo da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e fundador do outrora e respeitado Partido Socialista Brasileiro (PSB) da Paraíba.

O golpe militar de 1964 que derrubou o presidente João Goulart passou a perseguir aliados do governo deposto.

Aluízio Campos foi chamado a depor em Recife, em inquérito que apurava “atividades subversivas”, como os militares denominavam a atuação do pessoal de esquerda.  

Naquele tempo a esquerda do Brasil tinha vergonha, era esquerda mesmo, ainda não havia descoberto os cofres públicos para dilapidá-los.

Presidente do inquérito, o major fez a seguinte pergunta a Aluízio Campos:

– O senhor sabe por que faz parte deste inquérito?

– Não senhor, não sei.

O diálogo prosseguiu:

– O senhor está aqui porque é socialista – disse o major.

Ex-deputado, político experiente, sangue frio e esquerdista de verdade, Aluízio se ajeitou na cadeira, digeriu a colocação, fitou o major e perguntou:

– O senhor pode me dar isto por escrito? Que sou socialista?

– Por que? – Quis saber o major

Aluízio respondeu:

– Porque faz 20 anos que eu digo na Paraíba que sou socialista e ninguém acredita.

Houve uma época em que nosso respeitável Supremo Tribunal Federal (STF) era, de verdade, uma Suprema Corte, não esse balcão político-partidário que é hoje.

Agora o STF é tão-somente uma instância acolhedora de pedidos rotineiros e estapafúrdios de partidos políticos de esquerda.

O STF se transformou em cartório de polícia judiciária para abrir e instruir inquéritos policiais, função da polícia e do Ministério Público e deixou de ser tribunal constitucional.

O negócio começou a descambar quando os ministros do STF deixaram de ser juristas, operadores do Direito de renome e passaram a ser indicados e nomeados tão-somente com base num critério: serem amigos do presidente da República de plantão ou de sua caterva.

Alguns desses ministros ao ingressarem no STF nunca tinham redigido uma sentença, exatamente porque não sabiam redigir, não era a praia deles e isto não é demérito.

Há caso de ministro que não teve capacidade técnica e jurídica de passar em concurso de juiz de direito e hoje é ministro plenipotenciário do Supremo Tribunal Federal. Passou pela faculdade de Direito e não aprendeu direito.

Ou seja, o cidadão que não conseguiu, por incapacidade, passar em concurso para juiz de comarca do interior, hoje é ministro do STF. Mais do que isto: acha-se intocável, absolutamente intocável.

A semelhança entre a truculência da ditadura e a atual atuação do STF é assustadora: a ditadura prendia e processava simplesmente porque o sujeito era de esquerda; o STF processa e manda prender simplesmente porque o sujeito expressa sua opinião.

Qual a diferença?

No dia em que a política ficar no seu estuário próprio e o STF ocupar seu lugar de Suprema Corte, o Brasil começará a andar e ser um País sério.

Parece que ainda está longe disto.

araujo-costa@uol.cvom.br

Curaçá: Leitura recomendada

Capa do livro Insustentavelmente Trans, de Roberval Dias Torres.

Insustentavelmente Trans, livro do curaçaense Roberval Dias Torres (Editora Didática Paulista, 2002) é convite para uma boa leitura, agradável leitura, enriquecedora leitura.

Prefácio do ator e dramaturgo Luís Sérgio Ramos, que diz se tratar de “um livro transgressor” e certamente é, como era a agitada juventude de Curaçá.

Retrato das dificuldades pelas quais passava a juventude dos anos 1980, valioso relato dos percalços enfrentados pelos jovens de Curaçá, município do submédio São Francisco.

Na contra capa um depoimento de Antonio Carlos Barros Junior:

“…instigante; algumas vezes deliciosamente profundo; outras vezes delirantemente incompreensível…”

Livro bom para ser lido por nossos jovens de Curaçá – e não só de Curaçá e não somente jovens – para que possam inteirar-se do mundo curaçaense de antanho, não muito distante, mas um tanto diferente relativamente aos dias de hoje, em muitas circunstâncias e em muitas maneiras de encarar a vida.

Essa juventude irrequieta de Curaçá retratada no livro produziu muitos intelectuais que hoje engrandecem a educação e a cultura do município.

O autor é conhecido. Sobejamente conhecido.

Não carece de apresentação. E se precisasse, eu não tenho condições de captar sua grandeza intelectual.

araujo-costa@uol.com.br

Diários, segredos e miséria

Nos meus áureos tempos – já se vão algumas décadas – eu tinha um assistente que cuidava de minhas correspondências.

Certo dia, ao ver o nome do município do remetente, ele sapecou essa observação: “você recebe carta de cada lugar com nome esquisito!”.

Fiz-lhe ver que os lugares não são esquisitos. Esquisitos somos nós que achamos lugares, coisas e pessoas esquisitas e até fazemos observações esquisitas.

Mais de uma vez, em conversa com paulistas, eles acharam estranhos nomes como Abaré, Chorrochó, Curaçá, Canché, Uauá, Patamuté, Cumbe, etc.

Eles têm nomes muito parecidos com os nossos da Bahia e, no entanto, não acham estranhos: Avaré, Anhangabaú, Anhanguera, Mauá, Sumaré, Caraguatatuba, Cubatão, etc.

Outro dia encontrei, em minha rua, ao sair do trabalho, um senhor visivelmente fragilizado, fome estampada no rosto. Passou por mim, cambaleando, desviando-se dos tropeços, não me pediu nada.

Provoquei: tudo bem?

Ele respondeu: “Tudo bem, senhor”. E se foi, nada mais disse. Altivo, sereno, grande diante de si mesmo.

Deixar marcas é especialidade da pobreza. É só observar os maltrapilhos, desdentados, os miseráveis que nossa sociedade cruelmente constrói com a indiferença de sua ganância. e os joga debaixo dos pés.

Há marca mais cruel do que o rosto de uma pessoa faminta? Há marca mais dilacerante do que a dor de uma criatura pobre e desamparada?  

Tenho sugerido à pobreza para escafeder-se de minha vida, baixar noutro terreiro, mas não tive sucesso nessa empreitada até agora. Cara de pau, ela se faz de desentendida, parece surda e faz questão de me aporrinhar cotidianamente.  

Vira e mexe está me cutucando.

Quando tento me livrar da dita cuja, retiro-me sorrateiramente, mas ela me alcança na primeira esquina.

A miséria é cruel, crudelíssima. Persegue e maltrata.

Um pesquisador, mais de fofocas do que de coisas relevantes, manifestou desejo de conhecer meu possível diário, alegando curiosidade sobre minha vida.

Disse-lhe que não tenho diário nenhum, nunca me preocupei em anotar circunstâncias do meu viver, o que visivelmente o deixou desapontado.

Entendo que não tenho lições e experiências para servirem de modelo e, se as tivesse, não colocaria num diário frio, particularíssimo, solitário, passível de pesquisa, mas deixaria ao conhecer de todos.

Quanto a possíveis segredos, se os tivesse, seriam inconfessáveis ou não seriam segredos. Como diz a sabedoria mineira, “conversa com mais de dois é comício”. 

Os confidentes de hoje podem não ser confiáveis amanhã.  

As pessoas somente se interessam por detalhes da vida de um pé-rapado se ele for meliante, assim mesmo para espezinhá-lo, trucidá-lo, expor suas entranhas, desgraças e fraquezas diante de todos.

Se eu tivesse de contar alguma coisa não seria sobre minha vida. Seria sobre peregrinos, famintos, miseráveis, tristes, solitários e outros desafortunados mais que encontro no meu dia a dia.

Eles têm muito o que dizer. Ninguém os ouve.

Todavia, no recôndito de nosso ser, no âmago da existência, há sempre alguma coisa que não gostaríamos que outros conhecessem.

E se é assim, guarda-se, não se coloca em diário, senão acaba virando uma crônica como esta.  

araujo-costa@uol.com.br

Os “honestos” procuradores da República

“Na vida, nunca vi um rei que não estivesse nu” (Joel Silveira, jornalista sergipano, 1918-2007)

O Tribunal de Contas da União (TCU) investigou e descobriu.

Os procuradores da República que atuaram na operação Lava Jato e arrotavam honestidade cometeram deslizes que beiram à imoralidade, para dizer o mínimo.

Embora morando em Curitiba, sede da operação Lava Jato, esses procuradores recebiam diárias e passagens dos cofres públicos (leiam-se: impostos que pagamos), como se morassem fora e lá trabalhassem.

O TCU quer que os espertos procuradores devolvam o dinheiro embolsado indevidamente:

Antonio Carlos Welter: embolsou R$ 506 mil em diárias e R$ 186 mil em passagens;

Carlos Fernando dos Santos Lima: embolsou R$ 361 mil em diárias e R$ 88 mil em passagens;

Diogo Castor de Mattos: embolsou 387 mil em diárias;

Januário Paludo: embolsou R$ 391 mil em diárias e R$ 87 mil em passagens;

Orlando Martello Júnior: embolsou 461 mil em diárias e R$ 90 mil em passagens.

O chefe deles, Daltan Dallagnol que, segundo o TCU, criou a maracutaia, também está na mira do TCU para devolver a bufunfa recebida indevidamente, de forma solidária, assim como o então procurador-geral da República Rodrigo Janot, aquele que foi flagrado às escondidas reunido no fundo de um boteco, em Brasília, atrás de grades de cervejas, em conversa com advogado de réus da Lava Jato.

O Tribunal de Contas da União (TCU) alega que ditos procuradores criaram uma situação supostamente transitória, para justificarem o recebimento do dinheiro: moravam em Curitiba, mas informaram que continuavam morando em suas cidades de origem.

Com uma rapadura doce dessas, difícil de largar, está explicado por que Suas Excelências faziam tanta questão de acusar todo mundo a torto e a direito, certamente com o intuito de manterem a Lava Jato em funcionamento, já que ela se tornou fonte de recursos para abarrotar seus bolsos.

Esses excelentíssimos senhores integram o Ministério Público Federal, que tem o dever de zelar pelos interesses da sociedade e se dizem aptos para saírem por aí acusando Deus e todo mundo da prática de delitos.

Hoje – sabe-se – com um rabo de palha desses, esses procuradores não podem passar perto do fogo.  

Essa a hipocrisia de nossas instituições que muitos dizem que “estão funcionando”.

Podem estar funcionando, sim. Mas viciadas, deturpadas, hipócritas, promíscuas.

Os reis da Lava Jato estão todos nus.

araujo-costa@uol.com.br

Preciosos tesouros, minha riqueza

Thábata e Bruno/Thamara e Otávio/Thássia e Thales.

Há uma frase atribuída a José Martí, filósofo e político nacionalista cubano (1853-1895), segundo a qual há três coisas que a pessoa deve fazer durante a vida: “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”.

Fiz as três coisas, com modéstia. A ordem não foi necessariamente esta. Quiçá a ordem tenha obedecido minha humildade e meu cauteloso caminhar, difícil, espinhoso, às vezes titubeante, outras vezes resoluto.

Plantei árvores. Algumas cresceram frondosamente e floresceram. Outras não suportaram minha insípida e insignificante contribuição à natureza e não se foram adiante.

Escrevi livros, poucos. Não com a intenção de ficar famoso ou ganhar dinheiro. Nunca procurei fama, posições, badalações sociais, estrelismo.

Escrevo para robustecer o “teatro da alma”, registrar os ruídos do tempo, afastar os espinhos do caminho. São tantos!

Escrevo para firmar meu pensamento. Sem destinatários. É uma luta em defesa de nossa Pátria tão vilipendiada, destroçada e, sobretudo, espezinhada por supostos patriotas que se arvoram em únicos responsáveis pelos destinos dos brasileiros humildes. Péssimos responsáveis, abomináveis responsáveis.

Escrevo, também, para exaltar as amizades que tive, agradecer às pessoas que me ajudaram na vida e a todos aqueles que, humildes como eu, não se elevaram ao pedestal da arrogância, nem acima dos ombros dos semelhantes.

Sempre dispensei os hipócritas, a falsidade, a fragilidade dos que não sabem conviver com as dificuldades do caminho. Caminhar é difícil, não importa o destino.

Às vezes e quase sempre a solidão é a melhor companheira nessa jornada de plantar árvores, ter filhos e escrever livros.

Muitos se aproximam diante do sucesso, quase todos se afastam no infortúnio, nos momentos mais difíceis. Ficam os poucos e raros amigos, aqueles que chegam quanto as outras pessoas estão indo embora.

Penso como o poeta espanhol Antonio Machado: “Caminhante, não há caminho. O caminho se faz ao caminhar”. Mas nunca me verguei diante das dificuldades, nem me apequenei frente às vicissitudes da vida.

Sou de berço humilde. Orgulho-me disto. A defesa de meus valores não depende de minha condição social e financeira, nem se sustenta nos sonhos que procurei alcançar, mas da inflexibilidade do caráter que carrego desde a juventude.

Tive filhas: três. Meus maiores tesouros, os únicos tesouros, insubstituíveis tesouros, incomparáveis tesouros relativamente a quaisquer outros.

Entretanto, as árvores plantadas e os livros escritos são insignificantes diante do sentido da construção de meu mundo retratado em minhas filhas, todas humildes como eu.

Cito-as todas, com indisfarçável orgulho: Thábata Aline Faria de Araújo Costa, Thamara Annelise Faria de Araújo Costa e Thássia Anneyse Faria de Araújo Costa.

Sempre fui renitente, arredio e reticente em trazê-las para meu mundo da escrita, dos livros e das redes sociais, por uma razão muito simples e óbvia: evitar a exposição de todas elas a esse mundo perigoso, cruel e incompreensivo.

As agressões geralmente partem de quem não nos conhecem, sequer sabem o sentido de ofender e agredir. São inconsequentes, desprezíveis. Difícil entender essa selvageria. Jogam-se pedras em qualquer direção, a esmo.

Entretanto, nesse 2022, estou completando idade septuagenária. Minha importância se vai diminuindo no contexto familiar e minhas filhas não mais dependem de mim para continuarem em busca de seus horizontes, de seus sonhos, da caminhada em direção ao desconhecido.

Cresceram, cada uma escorando-se em seu próprio esforço.

Estudaram, se destacaram profissionalmente. Erigiram-se diante da sociedade e se sustentam em suas próprias convicções, belas convicções,que as admiro.   

Nesse caminhar, confesso: lutei, amei, sorri, chorei, tropecei e andei sobre escombros de meus próprios erros. Mas não desisti. Não desisto, não vou desistir, nunca vou desistir.

Dificuldades muitas, mas antevendo sempre o começo de um novo caminhar.

Há esperança, sempre. A alvorada continuará bonita, o sol sempre vai iluminar a todos.  

Minha caminhada ainda não chegou ao fim. Mesmo quando o sol se esconde nas montanhas do tempo há a esperança do amanhã.

Quando minha vida se expirar, não deixarei riqueza, tampouco fama e, menos ainda, deixarei ruína de caráter que possa envergonhar minhas filhas. Elas são gigantes morais diante do mundo.

Deixarei o amor e o rastro do amor que sinto por elas. Infinitamente.

Dentre os amigos que encontrei no decorrer do caminhar, alguns me chegaram por intermédio delas e passaram a fazer parte do meu dia a dia. São os genros: Thales Henrique, Otávio Virgínio e Bruno Marcel.

Estamos caminhando juntos. Pretendemos continuar caminhando juntos.

araujo-costa@uol.com.br

Bahia: catástrofe exige decência política

Governador da Bahia, Rui Costa (PT) parece desconhecer que, se ele sair de férias – o que deve ter acontecido algumas vezes – o governo da Bahia não deixará de funcionar em sua ausência.

Talvez os baianos nem sintam sua falta, não porque ele seja desnecessário ou insignificante, mas porque é a estrutura governamental, em qualquer governo e em qualquer esfera, que faz a máquina administrativa funcionar e não a presença física do governante.

O governador foi à imprensa reclamar que o presidente da República, em férias, ainda não foi aos municípios baianos castigados pelas chuvas, embora Bolsonaro tenha ido antes noutras localidades, quando a situação ainda não estava tão catastrófica como agora.

É verdade. O governador tem razão. Mas também é verdade que o presidente determinou que pelo menos quatro de seus ministros acompanhassem, in loco, tanto os estragos quanto as necessidades das populações atingidas pelas chuvas.

É o caso do ministro da Cidadania, João Roma, que é baiano. Ele foi a alguns municípios acompanhar o problema, além dos ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Marcelo Queiroga (Saúde) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

O ministro João Roma informou que, num só dia, o presidente lhe telefonou cerca de dez vezes, a partir das cinco horas da manhã, para inteirar-se da situação.

Por outro lado, o governo federal liberou cerca de R$ 80 milhões para reconstrução de estradas e infraestrutura urbana, inclusive sinalizou que vai disponibilizar recursos da Caixa Econômica Federal e BNDES, salvo engano.

Não se afigura decente fazer politicagem, nem parece que a ocasião seja apropriada para isto.

Se os recursos destinados pelo governo federal são insuficientes – e certamente são – é o caso das autoridades baianas reivindicarem mais recursos e cobrarem do governo da União, que deve agir com urgência, independentemente de cobrança e de partido político.

Talvez seja o caso de os parasitas baianos no Congresso Nacional – senadores e deputados federais – repensarem sobre o bilionário fundo eleitoral que vão embolsar e encontrarem formas legais de destinar parte dessa bufunfa ( R$ 4,9 bilhões reservados à campanha eleitoral de 2022) para socorro às populações atingidas pelas chuvas, seja na Bahia ou em qualquer estado.  

De qualquer modo, Rui Costa, que é um sujeito decente, vai-se apequenando. Corre o risco de cair na vale dos petistas pequenos, aqueles que colocaram o fanatismo lulopetista acima de quaisquer argumentos políticos.

Minha limitada inteligência não consegue entender como petistas que foram processados e condenados, alguns até presos, por corrupção e desvio de dinheiro público, hoje vão à imprensa dizer que precisam voltar ao poder para consertar o Brasil.

Isto não é bravata somente de Lula da Silva, cujas fanfarrices são sobejamente conhecidas e já fazem parte do anedotário nacional. Lula é exímio humorista.

É um tanto contraditório, tendo em vista a relação do PT com a Lava Jato. Mas esses petistas caras de pau parecem discípulos do ex-juiz Sérgio Moro que, com suas decisões tresloucadas, ilegais e arrogantes, quebrou a Construtora Odebrecht, dentre outras empresas e depois foi trabalhar num escritório americano que cuida da recuperação financeira da Odebrecht que ele mesmo arruinou.

Agora o já desmascarado Sérgio Moro está tentando explicar esse imbróglio indecente às autoridades (quanto recebeu por isto), mormente ao Tribunal de Contas da União (TCU) que entrou nessa história, não sei por que cargas d’água.

Voltando à tragédia da Bahia, outro dia, um canal de televisão de São Paulo estava preocupado em saber de um professor do Nordeste quais as causas de tanta chuva na Bahia.

Irrelevante a matéria jornalística diante de tanto sofrimento dos baianos. Parece fora de contexto discutir a causa das chuvas e não as formas urgentes de resolver os problemas das populações atingidas.

Entretanto, há coisa pior. Uma vez, há décadas, nosso Senado Federal aprovou “uma comissão para estudar as causas da pobreza do Nordeste”.

Nossos sábios senadores da época descobriram o óbvio e o que todo nordestino sabe há séculos: os nordestinos têm fome porque não comem, não podem comprar comida.

Sou de lá. Sei disto. Ninguém me contou. Passei fome. Vi e senti no estômago.

Como se vê, a Bahia está precisando de comida, abrigo, remédio e solidariedade.

Debates, politicagem e reclamações estéreis são dispensáveis.

araujo-costa@uol.com.br