João Gilberto, Juazeiro, Barro Vermelho

João Gilberto/Foto Google.

A baiana, bela e sanfranciscana cidade de Juazeiro e o distrito de Barro Vermelho, na vizinha e também baiana e suntuosa Curaçá, devem estar em estado de merecido êxtase.

A editora Companhia das Letras lançou Amoroso: Uma Biografia de João Gilberto, livro escrito pelo jornalista e musicólogo paulista Zuza Homem de Mello (1933-2020), amigo de João Gilberto, talvez o crítico e conhecedor da música brasileira mais respeitado nos últimos cinquenta anos.

O jornal O Estado de S. Paulo, de 17/10/2021, traz um apanhado da monumental biografia e algumas curiosidades, dentre as quais a de que o abalizado autor Zuza Homem de Mello desprezou, sabiamente, o entorno de João Gilberto, inclusive a conhecida desavença pessoal e judicial entre membros da família do juazeirense mundialmente famoso.

“Ele não queria saber dos problemas da família do João”, disse ao Estadão Ercília Lobo, viúva do autor do livro.

Outra curiosidade: o autor, amigo de João Gilberto desde sempre, também desprezou o anedotário que acompanha o juazeirense até hoje e se circunscreveu tão-somente à monumental história musical do cantor, ao que realmente interessa para a posteridade.

Vê-se que, embora assim, o livro não resiste aos encantos de João Gilberto, quando diz, por exemplo: “A vida enclausurada de João Gilberto foi constantemente incompreendida e criticada. Queixam-se que João Gilberto quase não se comunicava, exceto nas intermináveis ligações telefônicas de horas seguidas. Felizes os escolhidos nessas chamadas”.

“Eu só vou contar aquilo que apurar, aquilo que tiver certeza”, esclareceu o autor do livro, segundo o Estadão. E escreveu o que apurou e certamente viu na condição de amigo de João Gilberto.

Desprezou, por exemplo, a lendária história do gato que “teria pulado da janela por não aguentar mais João ensaiando”.

“Alguém entrevistou o gato para saber se era isto mesmo? ”, teria perguntada Zuza.

Juazeiro e o curaçaense Barro Vermelho estão em êxtase, devem estar em êxtase.

As raízes de João Gilberto estão sempre inteiras, vivas, enriquecedoras, inesquecíveis.

Estarão sempre.

araujo-costa@uol.com.br    

Legado, alhos e bugalhos da CPI da Pandemia

Criada e instalada sob a égide de boa e necessária causa, qual seja, a investigação direcionada aos erros, omissões e negligências do governo federal no combate à pandemia do coronavírus, a CPI se enveredou, no meio do caminho, pela vaidade de alguns de seus integrantes.

Algumas vezes a CPI perdeu tempo ao enaltecer supostas qualidades de seus membros, talvez tentando criar um álibi para amparar senadores sabidamente corruptos que, ao assumirem a CPI, de repente, num passe de mágica, passaram a ser “honestos”.

Ficou patente que a CPI se desviou do foco, do caminho, do objetivo. Mas construiu alguns resultados positivos, não há porque negar.

Numa das sessões, a CPI cedeu a cadeira da presidência para que o senador Fábiano Contarato (Rede-ES) fizesse a veemente e inoportuna defesa de sua condição de homossexual e da classe LGBTQIA+ que, diga-se de passagem, ninguém é contra que se faça, desde que no foro apropriado.

Os gays têm instituições e instâncias para reivindicarem seus direitos e sustentarem sua condição em sociedade, inclusive, dentre outras e tantas, o Congresso Nacional, sem preconceito e discriminação.  

Contudo, a CPI do Senado não foi criada para esse fim.

Pergunta-se: O que a condição de gay do senador Fabiano Contarato tem a ver com erros, omissões, negligências e irresponsabilidades do governo Bolsonaro no combate à pandemia?

De outra feita, a CPI gastou tempo discutindo se convocaria ou não a ex-mulher do presidente da República para depor sobre a prática de rachadinhas por membros da família Bolsonaro.

Pergunta-se: O que as rachadinhas, que devem ser seriamente investigadas pela polícia judiciária e Ministério Público têm a ver com erros, omissões e negligências do governo Bolsonaro no combate à pandemia?

Por outro lado, membros da CPI, na ânsia de se cacifarem em seus estados,  para as eleições de 2022, descaradamente usaram a CPI para fins político-eleitorais.

Há exemplos claros, inegáveis, cristalinos. Cito apenas alguns.

Na Bahia, o espalhafatoso Otto Alencar (PSD-BA), exemplo de atuação opaca no Senado, que termina o mandato em 2022, articula-se com Lula da Silva e o senador Jaques Wagner (PT) para garantir sua reeleição ao Senado Federal, de modo que o entrave, até agora, é saber se o governador Rui Costa (PT) cederá sua vez natural para Otto.

Com o fim do mandato de governador, Rui Costa é o nome mais natural e apropriado para disputar uma vaga no Senado Federal, mas isto depende dos conchavos locais para a eleição de Lula e a continuidade do PT no poder na Bahia.

Se Rui Costa concordar em ceder a vez, Otto Alencar terá se servido da CPI para beneficiar-se politicamente. Aliás, foi o que ele mais demonstrou lá.

Para sair-se bem de sua atuação pífia no Senado, Otto Alencar não precisava apequenar-se na CPI da Pandemia. Bastava tomar algumas lições de sabedoria política com Jaques Wagner, carioca que entende tudo de malandragem política e sabe o momento certo de falar.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que foi delegado-geral de política de Sergipe e está em primeiro mandato, parece que ainda não foi contaminado pela política rasteira e sem pudor, embora já se tenha declarado candidato a presidente em 2022.

Alessandro Vieira, por enquanto, continua sensato e discorda do relatório final da CPI, elaborado por Renan Calheiros (MDB-AL). Renan quer pedir o indiciamento de dois filhos do presidente da República, dentre outras medidas.

Numa referência aos filhos do presidente, o senador Alessandro Vieira ponderou que “ser babaca não é crime. Falar coisas estúpidas também não” e deixou patentemente demonstrado que a intenção de Renan Calheiros é usar politicamente a CPI para se promover ou, pelo menos, amenizar o resultado de seus inúmeros inquéritos em andamento no STF, a maioria por corrupção e lavagem de dinheiro.   

Ninguém tenha dúvida de que o STF o absolverá em todos, se chegarem a ser julgados ou não se forem prescrevendo pelo caminho da conhecida morosidade judicial.

De qualquer modo, já se vê a briga silenciosa de foice entre o presidente Omar Aziz (PSD-AM), o vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL) todos disputando a paternidade da CPI, ou seja, quem aparecerá mais no final dos trabalhos, mesmo sem melancia pendurada no pescoço.

O estúpido Renan Calheiros até havia engendrado uma festa-apoteose, inclusive com a presença de figuras globais, para encerrar a CPI. Foi convencido de que, com tantas mortes, a festa não cairia bem e até seria interpretada como uma afronta à memória dos falecidos, parentes e vítimas sequeladas da covid-19 e ainda vivas.

Se forem colocados alguns senadores da CPI e o presidente Bolsonaro na mesma balança, certamente eles se igualam, cada um a seu modo, em seu campo de atuação e em sua forma de agir.

Em resumo, entre alhos e bugalhos, a CPI deixará como legado a hipocrisia dos senadores, dentre idiotices e vaidades outras que abundam na comissão.

O que mais abunda na CPI é a abundância de idiotices.

araujo-costa@uol.com.br  

Professores, Colégio São José e outros Colégios

Professores do Colégio São José, de Chorrochó

Atrevo-me a surrupiar de Margareth Gomes Pires, insigne mestra e amiga, a foto que ilustra este artigo.

Trata-se de registro de formatura do Colégio São José, de Chorrochó, em ano que não sei precisar, onde se vê parte de seu corpo docente da época: Margareth Gomes Pires, Edna Maria de Menezes, Maria Therezinha de Menezes, Dr. Antonio Pacheco de Menezes Filho, Maria Ita de Menezes, Maria Nicanor de Menezes Veras e Neusa Maria Rios Menezes de Menezes, um feliz formando e mais duas circunstantes crianças.

No meu tempo de estudante em Chorrochó, ainda se destacavam as professoras Maria Joselita de Menezes, Maria do Socorro Menezes Ribeiro e outros mais, que minha esburacada memória não alcança e, por isso, penitencio-me pela injustificável omissão.

Em data mais recuada no tempo, quando o Colégio São José ainda se denominava Ginásio Municipal Oliveira Brito, na década de 1960, também lá ensinou a professora Maria Rita da Luz Menezes, uma das pioneiras do ensino ginasial de Chorrochó.

Há professores que não esquecemos. Vivos uns, in memoriam, outros. Mas inesquecíveis.

Em Patamuté, na fase da educação primária, sou grato às professoras Maria Vilani Brandão Leite, Ana Mendes Vital Matos (Nanita), Beatriz Gonçalves dos Reis Gomes, Adalzira de Souza Alcântara (Branca), Ana Mendes Callo (Nazinha), Maria Auxiliadora de Menezes Kawabe e Graziela Ferreira da Silva, esta última da Fazenda Bom Jardim.

Em Curaçá, Dr. Pompílio Possídio Coelho, Dr. Jaime Alves de Carvalho, Terezinha Conduru de Almeida, Excelda Nascimento Santos, Noêmia de Almeida Lima, Maria Auxiliadora Lima Belfort, Dionária Bim, Lenir da Silva Possídio e Herval Francisco Félix.  

Este registro vem a propósito do dia dos professores – 15 de outubro – e me traz preito de gratidão, homenagem e respeito a todos aqueles que guiaram meu trôpego caminho inicial em busca de sonhos e de novos horizontes, muitos deles ainda não alcançados, mas perseguidos, insistentemente perseguidos.

São os professores que sustentam nossas esperanças.

araujo-costa@uol.com.br

A fome e o elitismo do Poder Judiciário

Não é nenhuma novidade que alguns juízes – muitos, infelizmente – vivem no mundo da lua, embevecidos no luxo e em suas mordomias, de resto sustentadas em vencimentos que beiram as nuvens.

Esses juízes desconhecem a realidade do Brasil, não sabem o que é estômago vazio, desconhecem a desesperança e, por óbvio, não passam fome, nem seus parentes passam fome e nem seus aderentes passam fome.

Esses juízes não sabem que a fome tem cara de herege. Desconhecem o ruído da fome.

Enquanto isso, milhões de miseráveis vivem ou tentam viver com fome e, como se diz, abaixo da linha da pobreza. São aqueles milhões de brasileiros “invisíveis” que Lula da Silva e o PT dizem que tiraram da pobreza extrema e eles continuam pobres, desgraçadamente pobres.

Entretanto, nem tudo está perdido.

Em 13/10/2021, um preclaro ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltar a mulher, mãe de cinco filhos, moradora de rua e desempregada, que furtou de um mercado na Vila Mariana, capital de São Paulo, dois pacotes de macarrão instantâneo, dois refrigerantes e um refresco em pó.

Abordada ainda dentro do mercado, ela devolveu um leite condensado e disse que precisava levar as demais coisas porque estava com fome.

Total das mercadorias furtadas: R$ 21,69. Alegou que, sendo moradora de rua há mais de dez anos e desempregada, ela e seus cinco filhos estavam com fome.

Foi presa. Pior: a douta e insigne juíza que apreciou o caso decretou cruelmente a prisão preventiva da faminta e “perigosa assaltante”. A juíza enveredou pelo sempre perigoso formalismo processual.

A diligente Defensoria Pública de São Paulo pediu o relaxamento da prisão em primeira instância, que foi negada imediatamente.

A Defensoria recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo e pediu a transformação da preventiva em prisão domiciliar, mas os senhores subidos e preclaríssimos desembargadores paulistas também negaram.

Será que eles leram o processo? A realidade cruel do processo?

Ou fizeram como o então ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que mandou soltar um perigosíssimo e rico traficante de cocaína sob o argumento de que não se atenta ao nome do preso, mas às circunstâncias da prisão?

Diante da visível injustiça, a imprensa fez um bom e louvável papel e publicou o caso da mulher faminta à exaustão e até o comparou com o caso do ex-deputado baiano Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula da Silva e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Dilma Rousseff, que esteve em prisão domiciliar, ou seja, em casa, depois de ter sido flagrado com R$ 51 milhões em dinheiro vivo e ilícito, num apartamento de Salvador.  

Mais: em setembro, o ministro Edson Fachin, do STF, autorizou o regime semiaberto para Geddel. Salvo engano, ele foi autorizado a passar o dia em atividades fora da prisão e voltar à noite (TV Globo, Brasília, 10/09/2021).   

Quanto ao caso da mulher, a Defensoria Pública recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o ministro Joel Paciornik mandou soltá-la e fundamentou, corretamente: “Cuida-se de furto simples de dois refrigerantes, um refresco em pó e dois pacotes de macarrão instantâneo, bens avaliados em R$ 21,69, menos de 2% do salário mínimo, subtraídos, para saciar a fome por estar desempregada e morando nas ruas há mais de dez anos”.

Não vou aqui discorrer, porquanto desnecessário, sobre entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2004 que, em quadro assim, diz tratar-se de furto famélico, com ínfimo poder de lesão ao direito e, portanto, manda soltar o infrator.

É o “princípio da insignificância” e o STF orienta que juízes desconsiderem os casos em que o furto é irrelevante, com baixo poder ofensivo.

Ocorre que vaidosos juízes estaduais, sempre no mundo da lua, alheios à miséria que impera no Brasil, não seguem o entendimento do STF ou, em última análise, fazem vistas grossas.

Argumentar-se-á: a lei é igual para todos. Ela furtou, há de ser presa.

Não é. A lei não é igual para todos, exceto na teoria. Só na letra fria da lei todos são iguais. Se todos fossem iguais tantos magnatas que surrupiaram dinheiro público estariam trancafiados. E não estão.

De qualquer modo, nem tudo está perdido.

O lúcido ministro Joel Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça, pisou no chão e fez Justiça. Mais do que pisar no chão, o magistrado se elevou acima das hipocrisias e foi buscar a dignidade do Poder Judiciário.

Fazer Justiça não é prender os pobres e soltar os ricos.

Que outros juízes desçam de seus arrogantes pedestais e também comecem a fazer Justiça.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá, Maurízio Bim    

Curaçá – diria o francês Honoré de Balzac – oferece pomposamente um pôr do sol “em cores admiráveis de um vermelho vivo sobre as águas em um manto de púrpura, alegre, vivo, espiritual”.

A alvorada em Curaçá também é estrondosa, admirável. Tudo em Curaçá é estrondoso e admirável: o lugar, as pessoas, a história, o tempo, o dizer da amizade ou das amizades.

Entretanto, deixemos Balzac pra lá ou de lado. É demais ou pouco demais para o assunto de hoje.

Falemos de Curaçá, propriamente. Encantador e belo. Extraordinário e belo.

Falemos de um aniversariante curaçaense de hoje: Maurízio Bim Moreira.

Certa vez, cometi uma gafe monumental e grafei seu nome errado numa crônica.

Mais falta de informação do que de atenção. A culpa foi minha, exclusivamente minha, idiotamente minha.

Fui lembrado e questionado, com razão, por um amigo de Maurízio: Como dizer-me amigo de um sujeito e escrever o seu nome errado? Ou a amizade não existe ou minha condição de relapso falou mais alto. Nem uma coisa e nem outra, não obstante envergonhado à época.

Explico: ouso dizer que sou amigo de parte da família de Maurízio e me orgulho de ter convivido com Expedito Bim, Maria de Fortunato (Maria de Lourdes Lopes), Lucinha Bim e Dionária Bim, que foi minha professora no Colégio Municipal Professor Ivo Braga.

Dionária foi minha professora é modo de dizer. Dionária continua sendo minha professora. Será sempre. Admiro sua humildade, admiro sua inteligência, admiro seu caminho em busca da dignidade, monumental dignidade.

Quase em idade septuagenária – e, lógico, Maurízio é bem mais novo do que eu – me sinto ainda no direito de exaltar amigos importantes, cultos, inteligentes, mesmo quando, eventualmente, erro o nome. É o de menos. Ou coisa da idade.

Assim o faço em relação a Maurízio Bim.

Parabéns ao aniversariante. Desejo-lhe saúde e vida longa.

Que Deus direcione seus passos em direção ao pleno sucesso.

araujo-costa@uol.com.br

Corruptos, Banco do Nordeste e Lula da Silva

“A ladroagem é o melhor caminho para chegar ao coração da esquerda” (J.R.Guzzo, in O Estado de S.Paulo, 04.10.2020)

O ultrarradical deputado Jorge Solla (PT-BA), médico sanitarista e ex-secretário de Saúde da Bahia, soteropolitano de Baixa do Quintas, está estranhando as emendas parlamentares que, segundo ele e a imprensa, tratam-se de compra e venda de parlamentares pelo governo Bolsonaro.

O deputado Solla chama isto de “feirão de emendas” e “mercado persa” para, segundo ele, dentre outras vantagens, evitar o impeachment do presidente Bolsonaro.  

É a RP9, também conhecida como emenda do relator-geral, que distribui dinheiro aos parlamentares, em troca de favores ao governo, ainda segundo a imprensa e a oposição.

Jorge Solla deve entender bem de compra de deputados. O PT fez isto, que estourou em 2005, no primeiro governo de Lula da Silva, através do mensalão.

O mensalão resultou na prisão de petistas graúdos, a exemplo de José Dirceu, José Genuíno e outros mais. Aliás, a bem da verdade, não só membros do PT foram presos, mas outros envolvidos na maracutaia petista.

Se for verdade, nota-se que o presidente Bolsonaro apenas sofisticou a forma de compra dos deputados corruptos idealizada e implantada por Lula da Silva, o que não significa dizer que o presidente esteja certo, em nenhum momento. Ao contrário, está erradíssimo.

A gravidade da prática, além de constituir crime, é que os deputados corruptos vendem parte do valor correspondente às emendas a prefeitos, também corruptos, que arrebanham votos em seus municípios para os deputados vendedores de emendas e, paliativamente, adquirem máquinas, retroescavadeiras, tratores, et cetera e com isto engambelam as populações locais e embolsam parte do dinheiro público em conluio com os deputados corruptos.

Mas, vamos em frente.

O uso do cachimbo deixa a boca torta, diz o dito popular.

Segundo a revista Veja, Lula da Silvavoltou aos tempos de ostentação”.

Lula contratou, em Brasília, “pelo menos oito suítes isoladas por seguranças, com sala de espera e de reuniões para recepcionar e acomodar a fila de políticos que procurou o petista. Até uma copa foi improvisada para abastecer regularmente o pessoal”, em hotel de alto luxo nas barbas do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Tudo pago, com recursos do fundo partidário ou outro nome que se dê à safadeza com o uso do dinheiro público.

Continuemos em frente, ainda.

O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) mudou de direção ou está em vias de formalizar a mudança.

O presidente Bolsonaro descobriu que o BNB mantém um contrato, há anos, com uma Organização Não-Govenamental (ONG) chamada Instituto Nordeste Cidadania (INEC), vinculada a petistas para, por intermédio dela – ou deles – viabilizar microcrédito a pequenos agricultores e microempresários.

O serviço de inteligência do governo está fraco, fraquíssimo. Só agora descobriu a maracutaia.

O Banco do Nordeste paga à ONG petista R$ 600 milhões/ano para movimentar R$ 15 bilhões e atender 2 mil municípios em 470 pontos de atendimento.

Não se sabe a troco de quê, já que o BNB não precisa de intermediários para operacionalizar a concessão de créditos a micro e pequenos empresários, mormente da agricultura familiar, os chamados Crediamigo e Agroamigo.

O mais escabroso disto tudo é o seguinte: quem comanda a diretoria do Banco do Nordeste é Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), condenado e preso no processo do mensalão petista e amigo de Lula da Silva.

Somente agora o presidente Bolsonaro descobriu que o BNB está financiando valorosos e arraigados cabos eleitorais de Lula da Silva, razão por que, dentre outras, o ex-presidente petista se mantém folgadamente na dianteira em todas as pesquisas feitas no Nordeste.

Quem financia Lula da Silva no Nordeste é a corrupção. Quem financia ou financiará Jair Bolsonaro no Nordeste é a corrupção.

De qualquer modo, conclui-se que: mudam-se os governos e mantém-se os corruptos e a ladroagem.  

São inquietações que a sociedade experimenta a qualquer tempo, em qualquer governo, enquanto não acordar.

araujo-costa@uol.com.br       

Para refletir:

Constituição Federal, artigo 5º, inciso IV:

“É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

Constituição Federal, artigo 5º, inciso IX:

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura e licença”.

Ministros do Supremo Tribunal Federal, que agem politicamente e adoram holofotes, não podem impedir que todo e qualquer brasileiro diga o que pensa, tampouco podem censurá-lo por falar o que pensa.

Isto é direito constitucional incontestável e assegurado a todos os brasileiros, independentemente do que pensam Suas Excelências os intocáveis ministros do STF.

Ou a Constituição Federal é apenas um livro?

Ou a democracia no Brasil somente é democracia se os brasileiros estiverem de acordo com os atuais ministros do Supremo Tribunal Federal?

Hoje são alguns e poucos perseguidos.

Se ficarmos calados e submissos, amanhã seremos todos nós brasileiros.

Não custa nada refletir, não custa nada acordar, não custa nada lutar.

Ideologias aqui não importam, se direita, de esquerda, de centro ou de qualquer lado.

As ditaduras militares se sustentam nas armas, inclusive a de 1964, no Brasil. A ditadura do Brasil de hoje se sustenta na caneta do Poder Judiciário, que não quer largar os salários estratosféricos e as mordomias pagas por todos nós, pagadores de impostos.

“Brasil de ontem e de amanhã. Dai-nos o de hoje que nos falta” (Ruy Barbosa).

Acorda Brasil!

Em Chorrochó, crime, estupidez e desamparo.

Qualquer crime por si só é estúpido. E traz desamparo.

O crime organizado explodiu a agência bancária da cidade de Chorrochó, sertão da Bahia, na noite de 04/10/2021.

Imagens que estão circulando nas redes sociais são impressionantes e desoladoras.

A ação dos bandidos fez reféns e – parece – chegou a danificar imóveis residenciais vizinhos ao banco.

Beirando um século, em 22/12/1929, o bando do cangaceiro Lampião invadiu e barbarizou Queimadas, na região de Canudos.

Lampião assassinou friamente sete soldados, todos do destacamento local, extorquiu moradores, prendeu o juiz e todos os serventuários da Justiça e dominou violentamente a localidade durante horas.  

A história vem se repetindo, desta vez com deslindes cruéis e em proporções mais sofisticadas. Os delinquentes estão se modernizando.

Hoje, os órgãos policiais denominam de “novo cangaço” essas quadrilhas fortemente armadas que invadem cidades, explodem agências bancárias, tomam pessoas como reféns, espalham medo generalizado e roubam violentamente.

Isto vem acontecendo até em grandes cidades, como foi o recente caso acontecido na bem estruturada Araçatuba, interior de São Paulo.

Decorrido quase um século do episódio de Lampião, as populações continuam desprotegidas e à mercê de bandidos, não propriamente por negligência dos governos estaduais, que cuidam da segurança pública, mas em razão do crescimento desenfreado do banditismo e sua forma de agir, mormente nos grandes centros urbanos.

O banditismo está migrando para as pequenas cidades, mais vulneráveis e menos seguras.

Entretanto, convém ponderar que os governos pouco têm investido em segurança pública ao longo dos anos.

Os efetivos policiais são diminutos sobretudo nas pequenas cidades e o policiamento não dispõe de efetivo e equipamentos suficientes para enfrentar o crime organizado que está à frente da sucateada estrutura militar.

O crime organizado importa armas modernas, com alto poder de destruição, que passam por nossas fronteiras facilmente, por conivência de agentes públicos corruptos ou em razão de sofisticadas estratégias dos meliantes ainda não detectadas pelos órgãos de segurança.

A ousadia e preparo logístico dos bandidos são tantos que até aeronaves são usadas por eles para o cometimento de crimes.

Helicópteros resgatam ou tentam resgatar presos em presídios, aviões transportam drogas e armas, chefes de organizações criminosas se deleitam com iates, mansões, aeronaves, etc.

Para ilustrar o desamparo da população, há o caso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que mandou soltar um traficante de cocaína de alta periculosidade e, como se sabe, mola do crime organizado.

Ao mandar soltar o traficante, o “cuidadoso” ministro do STF ainda determinou pomposa e inocentemente: “Advirtam-no da necessidade de permanecer em residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamados judiciais, de informar possível transferência e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade”.   

O traficante, com razão, colocou o Habeas Corpus concedido pelo STF debaixo do braço e foi comandar o tráfico por aí. Tudo isto reflete nesses crimes de explosões de agências bancárias que financiam esses criminosos.

Portanto, é seguro afirmar que, em muitos casos, os bandidos superam, em muito, a capacidade de armamento em relação às forças policiais estaduais.  

A estupidez que o crime provoca, em situação assim, resvala em prejuízo da população, que fica desprovida da estrutura da agência bancária, a exemplo de Chorrochó.

Idosos, doentes, pessoas de baixa renda e população em geral que dependem do banco, inclusive para receber salários, precisam se deslocar, com dificuldade, principalmente financeira, a municípios vizinhos, para receber aposentadorias e outras demandas que hoje são centralizadas nos bancos.     

Se os bilhões do fundo eleitoral destinados aos políticos fossem canalizados para a segurança pública dos estados, certamente se criariam meios pelos quais a população se sentiria mais segura.

A democracia não precisa enriquecer uns poucos e dizimar a sobrevivência de muitos.

araujo-costa@uol.com.br   

O coronel e as vaias a Ciro Gomes

Em seu livro Vila Nova da Rainha Doida, o escritor e jornalista Guido Guerra, baiano de Santaluz, que o amigo Jorge Amado o apelidou de Papagaio Devasso, em recurso de admirável inteligência, conta a história de um certo coronel Asclepíades, truculento e mandão, senhor e dono de tudo em sua região.

Como regra, as celebrações religiosas católicas eram feitas em língua nacional. Asclepíades determinou ao vigário local que celebrasse uma cerimônia em latim, à moda antiga.

O padre argumentou:

– “O Vaticano determinou que agora seja em Português”.  

– “Aqui mando eu, só eu”, disse o coronel Asclepíades.

A vaidade existente nas entranhas dos partidos de esquerda e parte da direita estrambólica e dissidente não permitiu que levassem às ruas um número considerável de opositores ao governo Bolsonaro nas manifestações convocadas para 02/10/2021.

Único presidenciável declarado presente na Avenida Paulista, o “coronel” e ex-governador cearense Ciro Gomes foi retumbantemente vaiado pela esquerda que ele tanto admira, inclusive por petistas exaltados que, como ele, fizeram parte do governo de Lula.

Ao fim de sua fala, patética e repetitiva, Ciro Gomes, que não leva desaforo para casa, deu o troco e chamou os petistas e esquerdistas em geral de “fascistas de vermelho”.

Ao deixar a manifestação, Ciro Gomes foi cercado e quase leva uma surra dos petistas, mas a turma do “deixa disso” e a Polícia Militar de São Paulo impediram a sova.

O Partido Democrático Trabalhista (PDT), de Ciro Gomes, diz que não foi bem assim e tenta evitar o visível desgaste.

O PDT tem à frente a conhecida e abominável figura do trabalhismo nacional, Carlos Lupi, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff.

Como se vê, Ciro Gomes não está bem acompanhado.

À semelhança do coronel Asclepíades, de Guido Guerra, Ciro Gomes se acha o máximo e, sozinho, tentou enfrentar a “estrondosa multidão” de 8 mil pessoas que a esquerda conseguiu levar à Avenida Paulista, segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Ou seja, enquanto a vaidade dominar a esquerda, fica difícil ela reunir multidões contra o presidente Bolsonaro. Cada segmento da esquerda quer assumir o poder. Melhor: quer devastar os cofres públicos ou participar da devastação.  

O principal protagonista da esquerda, Lula da Silva não tem ido a essas manifestações, por duas razões: experiente e politicamente inteligente, Lula sabe que nesses ambientes podem surgir vaias e isto ele não quer, o fragiliza; depois, porque Lula prefere fazer campanha de bastidores, articulando alianças nos estados e com lideranças de todos os espectros, o que vem fazendo com grande desenvoltura e êxito comprovado.

Em resumo: Lula não quer assumir que está fazendo campanha antecipada à semelhança de Bolsonaro. Mas o PT está em campanha. Inegável que está.

O comentarista Gerson Camarotti, da Globo News, em hercúleo contorcionismo verbal, tentou omitir o nome de Ciro Gomes, como destinatário das vaias da Avenida Paulista.

Entretanto, a emissora concorrente mostrava um cabisbaixo Ciro Gomes, em palanque, sendo estrondosamente vaiado pela perdida esquerda, que deveria apoiá-lo ou, pelo menos, ser educada e comportada.

Esperemos as próximas manifestações.

Quem sabe os opositores do presidente Bolsonaro se unam em prol do mesmo objetivo: derrubá-lo nas urnas de 2022.

araujo-costa@uol.com.br

Em Curaçá, ex-prefeito Salvador ilustra a data

“A felicidade não é uma estação de chegada, mas uma maneira de viajar” (Margareth Runbeck, 1905-1956)

Hoje quero me referir a um sujeito decentíssimo, culto e politicamente inteligente: Salvador Lopes Gonsalves, assim como eu, filho do altaneiro município de Curaçá e aniversariante neste primeiro dia de outubro.

Este senhor a que me refiro foi, numa quadra do tempo, eficiente prefeito do baiano município de Curaçá, debruçado à margem direita do São Francisco.

Salvador Lopes Gonsalves governou Curaçá num período inquestionavelmente difícil: o município saía de uma quadra de administrações conservadoras, porque assim ditavam o momento e as circunstâncias da época.

Salvador tinha consciência de que a mudança pressupunha ruptura de valores já sedimentados na estrutura municipal, nem sempre fáceis de serem alterados.

Ele se definia como oposição às práticas políticas da ocasião.

A esquerda de Salvador é outra, sempre foi outra, qual seja, a verdadeira esquerda: ideologicamente fincada em princípios defensáveis e possíveis de praticá-los a qualquer tempo.

Salvador é sensato, inteligente, enxerga longe, antever horizontes. Difere da esquerda tresloucada, que não sabe exatamente o que quer e vive embevecida em picuinhas do poder.

O poder, para Salvador, é consequência da luta democrática.

Em Curaçá, Salvador representava a mudança, a necessidade de mudança, a razão da mudança.

Salvador mudou Curaçá?

Não sei. Mas chacoalhou a forma de fazer política no município, atapetou o caminho, indicou direções e acendeu a luz do horizonte político, iluminando o caminho de muitos que se seguiram.

Salvador é politicamente culto. Também é humilde demais. Entende de seu povo, de suas origens, entende de Brasil.

Aliás, dentre as muitas observações de meus leitores, faz muito tempo um curaçaense me corrigiu. Dizia ele que Gonçalves se escreve com ç e não com s.

Concordei com o atento e exigente leitor, mas relativamente ao Gonsalves de Salvador, continuo escrevendo com s.

Hoje, se me perguntarem por que, insisto que não sei. Presumo que em seu registro de nascimento o tabelião tenha grafado assim. É o bastante.

Mas Salvador é tão importante que um ç ou um s não faz a menor diferença em seu nome, em sua vida e, por conseguinte, na história de Curaçá.

Importantes são as lições de Luizinho que Salvador aprendeu. Quanto a Luizinho, não importa aqui o dizer de sua vida. Só os sábios explicam o seu saber. E eu não sou sábio, não sei explicar.

Como dizem os mineiros, Salvador Lopes Gonsalves está onde sempre esteve: à espera de um novo tempo.E o novo tempo para o sábio e silencioso Salvador é a luta em defesa do município de Curaçá, com mandato ou sem mandato.

Não importam os partidos políticos, os conchavos e, muito menos, as alianças partidárias, a costura das estratégias.

Que Salvador encontre sempre essa maneira de viajar em direção à continuidade da vida.

Daqui mando parabéns.

araujo-costa@uol.com.br.