“A ladroagem é o melhor caminho para chegar ao coração da esquerda” (J.R.Guzzo, in O Estado de S.Paulo, 04.10.2020)
O ultrarradical deputado Jorge Solla (PT-BA), médico sanitarista e ex-secretário de Saúde da Bahia, soteropolitano de Baixa do Quintas, está estranhando as emendas parlamentares que, segundo ele e a imprensa, tratam-se de compra e venda de parlamentares pelo governo Bolsonaro.
O deputado Solla chama isto de “feirão de emendas” e “mercado persa” para, segundo ele, dentre outras vantagens, evitar o impeachment do presidente Bolsonaro.
É a RP9, também conhecida como emenda do relator-geral, que distribui dinheiro aos parlamentares, em troca de favores ao governo, ainda segundo a imprensa e a oposição.
Jorge Solla deve entender bem de compra de deputados. O PT fez isto, que estourou em 2005, no primeiro governo de Lula da Silva, através do mensalão.
O mensalão resultou na prisão de petistas graúdos, a exemplo de José Dirceu, José Genuíno e outros mais. Aliás, a bem da verdade, não só membros do PT foram presos, mas outros envolvidos na maracutaia petista.
Se for verdade, nota-se que o presidente Bolsonaro apenas sofisticou a forma de compra dos deputados corruptos idealizada e implantada por Lula da Silva, o que não significa dizer que o presidente esteja certo, em nenhum momento. Ao contrário, está erradíssimo.
A gravidade da prática, além de constituir crime, é que os deputados corruptos vendem parte do valor correspondente às emendas a prefeitos, também corruptos, que arrebanham votos em seus municípios para os deputados vendedores de emendas e, paliativamente, adquirem máquinas, retroescavadeiras, tratores, et cetera e com isto engambelam as populações locais e embolsam parte do dinheiro público em conluio com os deputados corruptos.
Mas, vamos em frente.
O uso do cachimbo deixa a boca torta, diz o dito popular.
Segundo a revista Veja, Lula da Silva “voltou aos tempos de ostentação”.
Lula contratou, em Brasília, “pelo menos oito suítes isoladas por seguranças, com sala de espera e de reuniões para recepcionar e acomodar a fila de políticos que procurou o petista. Até uma copa foi improvisada para abastecer regularmente o pessoal”, em hotel de alto luxo nas barbas do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Tudo pago, com recursos do fundo partidário ou outro nome que se dê à safadeza com o uso do dinheiro público.
Continuemos em frente, ainda.
O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) mudou de direção ou está em vias de formalizar a mudança.
O presidente Bolsonaro descobriu que o BNB mantém um contrato, há anos, com uma Organização Não-Govenamental (ONG) chamada Instituto Nordeste Cidadania (INEC), vinculada a petistas para, por intermédio dela – ou deles – viabilizar microcrédito a pequenos agricultores e microempresários.
O serviço de inteligência do governo está fraco, fraquíssimo. Só agora descobriu a maracutaia.
O Banco do Nordeste paga à ONG petista R$ 600 milhões/ano para movimentar R$ 15 bilhões e atender 2 mil municípios em 470 pontos de atendimento.
Não se sabe a troco de quê, já que o BNB não precisa de intermediários para operacionalizar a concessão de créditos a micro e pequenos empresários, mormente da agricultura familiar, os chamados Crediamigo e Agroamigo.
O mais escabroso disto tudo é o seguinte: quem comanda a diretoria do Banco do Nordeste é Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), condenado e preso no processo do mensalão petista e amigo de Lula da Silva.
Somente agora o presidente Bolsonaro descobriu que o BNB está financiando valorosos e arraigados cabos eleitorais de Lula da Silva, razão por que, dentre outras, o ex-presidente petista se mantém folgadamente na dianteira em todas as pesquisas feitas no Nordeste.
Quem financia Lula da Silva no Nordeste é a corrupção. Quem financia ou financiará Jair Bolsonaro no Nordeste é a corrupção.
De qualquer modo, conclui-se que: mudam-se os governos e mantém-se os corruptos e a ladroagem.
São inquietações que a sociedade experimenta a qualquer tempo, em qualquer governo, enquanto não acordar.
araujo-costa@uol.com.br