“O mundo é o seu caderno, as páginas em que você faz suas somas.” (Richard Bach)

De quando em vez tento afastar as insistentes tempestades do dia a dia e passo a embevecer-me nas lembranças.
Relapso, não costumo anotar datas de aniversários de amigos e, às vezes sou alcançado de supetão com a surpresa da festa.
Dr. Francisco Afonso de Menezes, completa 80 anos. Chorrochoense de boa cepa que, embora residindo fora de Chorrochó, mantém-se ligado ao município por simultâneos vínculos de família e tradição.
Defensor intransigente da cultura de Chorrochó, Afonso tem sido vigilante no sentido de preservar as tradições locais.
Espécie de personal consultant de muitos, Afonso é memorialista e entende de Chorrochó e de sua história, qualidade que lhe faz abalizada fonte de conhecimento.
Pioneiro da antiga Faculdade de Agronomia do Médio São Francisco (FAMESF), que lhe concedeu a graduação e o tecnicismo profissional que soube exercer com afinco e responsabilidade.
Profissional respeitado em seu meio de atuação, ostenta considerável folha de serviços prestados ao desenvolvimento da agricultura moderna da região como grande conhecedor das ciências agrárias.
Começou sua vida profissional na então conceituada EMATER-BA, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Bahia, instituição que prestou, em sua área, valiosa e eficiente contribuição para a população do semiárido baiano.
Contudo, não trato aqui do profissional. Não tenho preparo para tanto. Quero mesmo é dizer que me fiz amigo de Afonso, coisa lá de algumas décadas.
Nos momentos de reflexão, lembro os amigos, os caminhos percorridos, a juventude, os tropeços, as pessoas boas com as quais convivi. Sou grato a todas, mormente aquelas que me suportaram.
Limito-me ao jovem Afonso que conheci em Chorrochó: afável, estudioso, inteligente, cortês, encantador.
Conheci-o ainda na juventude, em Chorrochó. Quase todos de nossa confraria já se foram.
Continuamos alguns poucos, saudosos e circunstantes, cônscios da efemeridade da vida, meditando, remoendo, ruminando as vicissitudes do existir.
Admiro algumas qualidades de Afonso, dentre essas o apego às tradições da terra natal, o arraigado interesse pela história do município e, sobretudo, a lealdade aos seus princípios.
Outra qualidade de Afonso é a aptidão para preservar amizades, dentro as quais me incluo, honrosamente, não obstante tropeços ao longo do caminho, que ele sempre soube entender e contornar. Mantenho-o amigo. Mantemo-nos amigos. É um amigo generoso, sábio, compreensivo, prudente.
Afonso é autor do Hino de Chorrochó e da Bandeira do município, relevantíssimos feitos que, por si sós, enriquecem e emolduram sua biografia de forma perene e contribuem valiosamente para a grandeza de Chorrochó.
Extraí estas suas palavras do discurso de formatura: “A capacidade sonhadora é bem maior que as realidades existenciais e a força de identificar sonhos com a vida faz com que acreditemos que o amanhã será melhor”.
Trata-se de pensamento otimista, eloquente, estribado na esperança e na crença de horizontes promissores. É um bálsamo para a juventude, mesmo aquela que se tornou jovem com o envelhecimento, com o passar dos anos.
Neste aniversário de Afonso lembro uma reflexão de Tristão de Atayde: “Chegando aqui, que surpresa! Olhando para trás, que deserto!
Nesta fase da vida, olhamos no retrovisor do tempo, folheamos nosso caderno e avaliamos as somas que fizemos. É o resumo do mundo que construímos até aqui, a vontade de continuar a caminhada.
Parabéns, bicho!
Você continua jovem em suas ideias, inobstante a passagem do tempo, o tempo que está nos empurrando para o resumo do que fomos, do que somos.
Desejo-lhe muita saúde, disposição para seguir adiante e muita luz na alvorada do seu bonito existir.
araujo-costa@uol.com.br