Nordeste: Ciro Gomes, Haddad e votos de Lula da Silva

O ex-governador cearense Ciro Gomes vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto, o que já era esperado.

O destempero verbal de Ciro também vem crescendo, o que não é nenhuma novidade. Quem o conhece sabe que ele é assim mesmo, mas o diabo é que nem todos o conhecem e isto acaba afastando os eleitores de seu caminho na disputa presidencial.

Inobstante a derrocada de nossos costumes morais e políticos e o surgimento do politicamente correto, a sociedade brasileira ainda é marcadamente conservadora.

Em entrevista recente a um jornal do Rio de Janeiro, Ciro Gomes chamou milhões de eleitores, assim como militares apoiadores de Jair Bolsonaro de “cadelas no cio” e classificou de “jumento de carga” o general da reserva do Exército e candidato a vice-presidente de Bolsonaro.

A primeira frase é do dramaturgo alemão Bertholt Brecht (1898-1956): “A cadela do fascismo está sempre no cio”. Ciro Gomes não citou o autor da frase o que, pelo menos, seria uma forma de amenizar a infelicidade da arrogância diante dos atingidos.

Com a expressão “jumento de carga”, talvez Ciro quisesse dizer “pau pra toda obra”, mas não se expressou bem. Ficou mal para o candidato que quer atingir espaço eleitoral.

Ciro Gomes é um sujeito culto, mas não precisa valer-se de sua cultura para ofender as pessoas, mormente em campanha. Vai perder eleitores, embora ascendente nas pesquisas.

Com a definição de Fernando Haddad, ventríloquo de Lula da Silva, Ciro vai disputar votos lulistas nos estados do Nordeste, que têm maioria sabidamente favorável ao ex-presidente petista.

Já escrevi sobre Fernando Haddad. É um sujeito decente, educado, culto, inteligente, ético e, sobretudo, disciplinado. Ainda não lhe grudou a pecha de demagogo, como os demais candidatos que estão por aí, mas errou ao se submeter à condição de marionete de Lula da Silva e se transformar num candidato sem identidade própria. Parte do PT não o queria como cabeça de chapa.

Ganhando ou não a eleição, Haddad vai entrar para a história política como uma pessoa facilmente dominável. Isto já está manchando sua impecável biografia.

Ciro Gomes é nordestino típico, embora paulista de nascimento, tem afinidade com o linguajar do povo, conhece bem demagogia e, sobretudo, sabe dizer o que o eleitor quer ouvir. É experiente politicamente e entende de administração e economia. Pavio curto, tirante os palavrões que gosta de dizer, tem seguras chances de abocanhar grande parte do eleitorado lulista. Se tiver maioria na região Nordeste, a vitória ficará com ele.

O eleitor de Lula não significa necessariamente eleitor do PT. O eleitor de Lula é fiel, decidido, imutável. Quem vota em Lula não quer dizer que vota noutros candidatos do PT.

Lula é carismático, messiânico, tem luz própria, apesar da escuridão que vem atravessando. Haddad é pau-mandado. A diferença entre ambos é abismal.  O eleitor de Lula sabe disto.

De qualquer forma, a bagagem de Ciro Gomes o ajudará, sem dúvida: exerceu cargos no Executivo e no Legislativo, em todas as esferas de governo, além de dominar, com desenvoltura, os assuntos do Brasil. É articulado e tem poder de convencimento.

Mas é tempo de tirar as crianças da sala nos momentos em que Ciro Gomes fala na televisão. Ele pode servir de mau exemplo. Não é bom.

araujo-costa@uol.com.br

Igreja Católica: Sínodo e esperança na juventude

“Os corações dissipados não se tornam santos” (Santo Afonso de Ligório, fundador dos redentoristas).

No período de 3 a 28 de outubro próximo realizar-se-á em Roma o Sínodo dos Bispos direcionado aos jovens, com o tema “A fé, os jovens e o discernimento vocacional”.

O relator geral da Assembleia Ordinária do Sínodo será o cardeal brasileiro Sérgio da Rocha, mestre em Teologia Moral, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Brasília.

Sintomática a nomeação de D. Sérgio da Rocha para a relatoria do Sínodo. Ele conviveu com muitos problemas da juventude em duas arquidioceses do Nordeste sabidamente difíceis: Teresina e Fortaleza.

Em 2017, os jovens de todo o mundo tiveram a possibilidade de responder a um questionário disponibilizado pelo Vaticano sobre as impressões da juventude mundial.

A Igreja valeu-se dessa consulta para subsidiar o Sínodo, empiricamente. Uma espécie de preparo para sentir o pensamento da juventude de todo o mundo.

Sabe-se que os jovens reivindicaram uma igreja alegre, mais evangelizadora através dos meios de comunicação e também a necessidade de maior atenção ao ardor da juventude, direcionando-o às coisas da Igreja .

A Igreja Católica Apostólica Romana parece que está voltando a se interessar pelos jovens. Já no Concílio Vaticano II (1962-1965), com a linha de modernização de seu pensamento, a Igreja plantou a semente que resultou no aparecimento de organizações e movimentos, tais como a pastoral da juventude e as comunidades eclesiais. Um avanço.

A preocupação da Igreja hoje é fundamentalmente a indiferença dos jovens, a pouca participação deles nas atividades paroquiais e, sobretudo, a falta de interesse relativamente ao sacerdócio.

É uma preocupação que se funda no presente, mas tem o condão de amparar o futuro. Se a juventude não se interessar hoje pelas vocações, fatalmente teremos uma Igreja carente de sacerdotes, faltarão diáconos, presbíteros, acólitos, et cetera e, por consequência, bispos e cardeais.

Não é nenhuma novidade que a Igreja tem dificuldade de atapetar seu caminho em direção às gerações futuras, resultado de incompreensível negligência relativamente aos jovens ao longo do tempo.

As estruturas dos seminários continuam as mesmas de séculos, quer do ponto de vista da formação dos padres, quer no que tange ao enfrentamento da possível flexibilização de alguns preceitos vistos pela Igreja como imutáveis.

Os jovens se foram escasseando nas atividades religiosas das paróquias, diminuíram a frequência às missas e, sobretudo, voltaram-se para as coisas do mundo da violência. Isto é muito preocupante, de tal forma que o tema “os jovens, a fé e o discernimento vocacional” fez-se necessário no mundo inteiro.

Ao longo dos séculos, a Igreja Católica Apostólica Romana se sustentou em dogmas tais que até hoje dificultam a compreensão de seu papel na formação do caráter religioso, flexibilização das arrogâncias e amparo às fraquezas humanas.

Doravante, a discussão do celibato, por exemplo, certamente tomará lugar em muitas avaliações da Igreja Católica. Quiçá tenha faltado à Igreja a explicação necessária quanto ao âmago das vocações sacerdotais.

Mater et magistra, a mãe e mestra dos católicos não pode conviver com escândalos, como acusações de pedofilia envolvendo seu clero o que, inevitavelmente, atinge os jovens que ela tanto quer evangelizar. Isto contamina sua credibilidade, sem dúvida.

A Igreja ainda não encontrou formas de extirpar situações incômodas, não obstante contar com seus tribunais próprios e instituições aptas para isto.

O papa João Paulo II vislumbrou a necessidade de dar mais atenção aos jovens e incentivou as Jornadas Mundiais da Juventude. Essas jornadas despertaram ânimo nos jovens, ainda que timidamente, mas com êxito.

Agora o Sínodo dos Bispos parece retomar o assunto da fé e da vocação, assunto este necessário para desanuviar o pensamento da juventude tão comprometido com a ruína moral do mundo.

araujo-costa@uol.com.br

 

 

A submissão das Forças Armadas ao poder civil.

O comandante do Exército em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo de 09/09/2018 esclareceu o que todo brasileiro precisa saber: “As Forças Armadas são instituições de Estado, de caráter apolítico e apartidário”. E pronto.

Disse mais, que Jair Bolsonaro não é candidato das Forças Armadas, embora capitão da reserva do Exército. Bolsonaro é político, deputado federal, exerce função política. E pronto.

O candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro é general da reserva do Exército. E pronto.

Eventual governo de Jair Bolsonaro será civil, porquanto eleito pelas regras democráticas e não governo militar. E pronto.

No regime democrático, as Forças Armadas se submetem ao poder civil, independentemente de quem seja o presidente da República, que é o seu comandante supremo.

O que as Forças Armadas não admitem, por óbvio, é bater continência para eventual presidente eleito contra a lei, contra as regras democráticas, ao arrepio dos ditames legais. Não podemos esperar isto de nossos militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Eles não vão fazer isto, em respeito à hierarquia, à ética, ao Brasil, à Pátria, aos símbolos nacionais.

Dito isto, agora um lembrete: em 25/07/1966, a esquerda explodiu uma bomba no saguão do aeroporto dos Guararapes, em Recife, causando duas mortes e quatorze feridos. A bomba era destinada ao então ministro do Exército Arthur da Costa e Silva, anos depois presidente da República, mas atingiu fatalmente um jornalista funcionário do governo de Pernambuco e um vice-almirante.

Naquele dia, o ministro Costa e Silva participava de atos de campanha no prédio da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), mas não foi envolvido no atentado, para decepção dos autores da ação tresloucada.

O resto da história e da escuridão pela qual o Brasil passou anos seguidos todos conhecem.

Em 2018, bastaram se acirrarem os ânimos da campanha presidencial, para integrantes da esquerda radical, certamente espelhando-se no exemplo reprovável de seus antepassados, atentarem contra a vida do candidato Jair Bolsonaro. Pior: o porralouca que esfaqueou o candidato declarou à polícia que o fez por razões políticas, o que obrigatoriamente lhe remeteu para a Lei de Segurança Nacional. Repete-se 1966, 1968, 1969…

A democracia está ferida, feridos estão nossos símbolos nacionais, feridas estão as urnas que colherão nossos votos.

Passadas algumas décadas, a esquerda imbecilizada e incompetente não aprendeu a lição. Diferentemente de 1966 – época do caso de Recife – quando vivíamos numa ditadura, hoje estamos no saudável regime democrático, que não comporta atos dessa natureza, em nenhuma hipótese. A esquerda não consegue entender. É uma questão de inteligência ou falta dela.

As contestações devem ser feitas civilizadamente, pelas vias do diálogo, através do debate, das urnas, do convencimento. Derramar sangue de compatriotas por discordar de ideias antagônicas afigura-se estupidez, idiotice, um atestado de incomprensão.

De qualquer forma, as Forças Armadas do Brasil de hoje se submetem ao poder civil, porque assim diz a Constituição da República, não importa se o presidente eleito é de direita ou de esquerda. Importa se investido no cargo mediante sufrágio popular e legítimo, de acordo com o nosso ordenamento jurídico.

Entretanto, os imbecis continuam por aí, violentos, soltos, idiotas, ávidos para tumultuarem o ambiente político. Não terão sucesso.

araujo-costa@uol.com.br

O petista Lula que os petistas não conhecem

Segundo turno das eleições presidenciais de 1989. Alberico Souza Cruz, poderoso diretor de telejornais da Rede Globo, editou o debate havido entre os candidatos Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.

Noticiada pela imprensa, a edição do debate deu-se numa sexta-feira e no sábado seguinte, a pedido de Lula, oito mil militantes foram protestar na porta da TV Globo contra a emissora.

A eleição aconteceu no domingo, 17 de dezembro. Lula da Silva perdeu por pequena margem de votos, derrota atribuída à montagem do debate vista como grosseira e desonesta, a favor de Collor.

A TV Globo puxou a sardinha para o lado de Collor, que saiu vitorioso com 53,03% dos votos. Lula teve 46,97%.

Enquanto os manifestantes se apinhavam na porta da TV Globo, no Rio de Janeiro, Lula da Silva jantava, escondido, com a direção da emissora, a convite do próprio Alberico Souza Cruz, que manipulou o debate contra ele.

– “Derrubamos 3 litros de uísque”, contou Lula depois. E ponderou: “não vou brigar com a Globo, né?”.

Os manifestantes e defensores de Lula fizeram papel de bobos em frente à Globo. Protestaram, esgoelaram-se, levantaram bandeiras, gritaram palavras de ordem e Lula lá, em jantar com a direção da emissora, comendo, bebendo e extasiando-se.

– “Aquilo doeu e me pareceu falta de dignidade pessoal”, disse César Benjamin, ícone da esquerda do Brasil, fundador do PT e um dos responsáveis pelo protesto. Depois disto ele abandonou o PT.

Até o íntegro Leonel Brizola ficou indignado com a edição do debate e comprou a briga com a TV Globo. E Lula lá, fingindo que estava brigando com a emissora.

Até hoje tem militantes que embarcam nas lorotas de Lula e pensam que ele é contra a Rede Globo, ao ouvirem suas bravatas. Lula da Silva “joga pra galera”, de acordo com o momento. É um esperto estrategista político. Sabe dizer na hora certa o que a militância quer ouvir.

Curioso é que Lula da Silva considerava Fernando Collor inimigo figadal, mas quando assumiu o poder uniu-se a ele e passaram a viver aos abraços até hoje, um defendendo o outro. Coisas do amor.

A inimizade começou porque na campanha eleitoral, Collor divulgou assuntos da vida pessoal de Lula, o que não vem ao caso citá-los. Convenhamos, vida pessoal não deve ser misturada com campanha eleitoral. É baixaria, mau caráter.

Há outros episódios que Lula da Silva protagonizou às escondidas de seus admiradores, como a greve de fome que simulou quando estava preso no DOPS paulista no tempo da ditadura militar.

Mas esta é outra história que, de tão hilária, entrou para o folclore lulista.

araujo-costa@uol.com.br

Curaçá: um registro sobre Maurizio Bim

“A gente pode ter orgulho de ser humilde” (D. Helder Câmara)

Nas amizades, a confiança é atraída pelo diálogo, embora nem sempre ela tenha o condão de nascer de frequentes conversas. A confiança quase sempre surge casualmente, como se, depois de uma peregrinação, encontrasse lugar seguro para pousar.

Neste “mundo coberto de penas”, como dizia o mestre Graciliano Ramos, as amizades se desgastam facilmente e se perdem nos labirintos das incompreensões, que são muitas, amiúde.

Contudo, algumas surgem subitamente, surpreendentemente. E ficam, ainda bem que surgem e ficam.

Em Curaçá, amparo de minha aldeia Patamuté, o tempo me presenteou com amizades que perduram até hoje, algumas construídas na juventude, outras no decorrer do tempo e outras poucas já em minha ostensiva fase de chatice, quando passei a me levar muito a sério, o que não é bom, nunca foi bom, nunca será bom.

A pureza da juventude esvaiu-se-me e me tornei um sujeito esquisito, tosco, arredio, às vezes incompreensível. Passei a confiar menos nas pessoas, quiçá em razão dos tropeços, da poeira engolida nas estradas, das decepções enfrentadas ao longo da caminhada e de minha incompatibilidade de conviver com hipocrisias.

Não tenho conseguido ajoelhar-me diante da arrogância, mas sei entender os antagonismos, discernir as aparências. E nas encruzilhadas das incertezas, tentei seguir o caminho menos espinhoso, a direção possível.

Viver exige lhaneza, simplicidade, afabilidade, o que me falta a todo tempo. Mas resisto em ceder às tentações para não me tornar grosseiro, indesejável, ferino, estúpido.

Às vezes é preciso que derrubemos os anteparos para que a luz que está do outro lado desponte e traga clareza ao nosso caminhar e à necessidade de sermos humildes. A esperança sempre nos permite alcançar o outro lado da luz.

Dentre os amigos mais jovens que conquistei em Curaçá está Maurizio Bim.

Nossos contatos se estreitaram depois que ele lançou o livro História da Imprensa de Curaçá, resultado de cuidadosa pesquisa sobre a história do município, mormente relativamente à tenra imprensa local.

É muito difícil cultivar a seriedade nesta quadra do tempo. Maurizio consegue, não obstante o monturo de influências externas que nos abalroam diariamente. Encaminhou-se para a pedagogia, o jornalismo e para o ofício de escritor, áreas que domina com competência e desenvoltura.

Maurizio é filho da professora Dionária Ana Bim e recebeu da mãe – e certamente também do pai – o gosto pelas coisas sérias, a arte de dirigir o espírito para a investigação da verdade e, sobretudo, o caráter irrepreensível.

Dionária foi minha professora no Colégio Municipal Professor Ivo Braga e a tenho em alta consideração. Foi professora é modo de dizer, continua sendo. Não se esquecem as boas lições, não se esquecem os mestres, não se esquecem os bons ensinamentos.

O livro História da Imprensa de Curaçá é uma promissora iniciativa que Curaçá passou a dispor para o enriquecimento e sedimentação de sua história. Leitura agradável, enriquecedora, formidável.

Anos depois, em novembro de 2015, Maurizio fez mais uma façanha, dentre outras: lançou o livro, Barro Vermelho – memória e espaço, obra também cuidadosamente lastreada em pesquisas sobre o elegante distrito curaçaense, sua gente, suas raízes e sua cultura. Um indestrutível e perene monumento ao lugar.

O lançamento do livro aconteceu no Memorial Filemon Gonçalves Martins, marco da cultura musical e da história de Barro Vermelho. Tive vontade, mas não pude estar presente.

Todavia, além do registro da amizade, o que conta aqui é o registro de sua generosidade. Quando ele me apresentou a História da Imprensa de Curaçá fez constar na dedicatória: “É preciso que lembremos, mas também é mister que os outros saibam para que a todos seja comum”.

Pensamento de grandeza, de desprendimento, de compartilhamento do saber.

Maurizio Bim faz parte dos intelectuais que não gostam de pedestais. Aí está sua grandeza, o orgulho da humildade.

araujo-costa@uol.com.br

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Deixo de citar o crédito da foto por desconhecer a autoria, o que não invalida o respeito pelo autor.

Candidato sem noção

O presidenciável e invasor de propriedades Guilherme Boulos (PSOL) distribuiu nota atribuindo o incêndio do Museu Nacional ao presidente Michel Temer.

Ele não disse que a diretoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que administra o Museu Nacional, é formada de filiados ao seu partido, o PSOL: o reitor, a vice-reitora, a pro-reitora de Extensão, o pro-reitor de Pessoal e o decano, além de outros, certamente.

Boulos também não disse que o Museu Nacional existe há 200 anos e os presidentes anteriores nada fizeram por ele, inclusive os do PT, que pariu o PSOL. Lula da Silva e dona Dilma fizeram alguma coisa em benefício do Museu?

Ele também não disse que o Ministério da Cultura dos últimos governos foi aparelhado para ser um cabide de empregos da esquerda, que está se lixando para a cultura, incluído o Museu Nacional.

Michel Temer está governando por aproximados dois anos, aliás botado lá por Lula da Silva, que o impôs como vice de dona Dilma por duas vezes. Como pode ser responsabilizado pelo incêndio do Museu, resultado da negligência governamental por seguidas décadas?

Grande parte do mal do Brasil se deve ao descaso e à hipocrisia desses mentecaptos.

araujo-costa@uol.com.br

O PT parece encaminhar-se para o bom senso

Membros do Partido dos Trabalhadores que têm poder de comando – ou, pelo menos, suas opiniões pesam nalguma direção – não querem o nome do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad como substituto de Lula da Silva na condição de cabeça da chapa presidencial.

José Dirceu, que está solto por gratidão de seu ex-empregado Dias Toffoli e ainda tem voz e influência no partido, disse em data recente que “até as pedras” querem o ex-governador da Bahia Jaques Wagner.

Ocorre que Jaques Wagner labora com a possibilidade de eleição garantida para uma vaga no Senado Federal e, compreensivelmente, não aceita a aventura de disputar a presidência. A Bahia certamente lhe vai garantir o Senado. O homem é bom de urna e de voto. E de conversa.

Nas caatingas do sertão nordestino há um ditado popular, segundo o qual, “mais vale um passarinho na mão do que dois voando”.

O carioca Jaques Wagner captou o significado da expressão, tanto que vinha insistindo que Lula deve ser o candidato. A eleição ao Senado Federal lhe assegura prerrogativa de foro, o chamado foro privilegiado, que ele vai precisar.

Tudo conversa fiada, lorota. Jaques Wagner sabe que Lula não pode. Lula sabe que não pode. O PT sabe que Lula não pode.

Fernando Haddad é um sujeito decente, educado, culto, advogado, professor universitário, inteligente, ético e, sobretudo, disciplinado. Ainda não lhe grudou a pecha de demagogo, como os demais candidatos que estão por aí.

Todavia, se Haddad ganhar a eleição, é possível que o PT o transforme da posição de possível estadista para a de assíduo frequentador das páginas policiais. O PT é bom nisto. Aliás, quase todos os partidos políticos são especialistas em transformar seus líderes em meliantes.

Contudo, ainda não pesam acusações sobre Haddad que o desabonem, exceto algumas em fase inicial, mas nada que ostente provas sobre possíveis arranhões em sua conduta. Por enquanto, é a pessoa ideal para substituir Lula da Silva.

Haddad pode trazer credibilidade ao combalido PT e ânimo à militância, vez que, parte dela, já demonstra vergonha de declarar-se em público que é petista, diante dos escândalos e prisões de graúdos dirigentes, todos acusados de “amigos do alheio”, tais como: José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Vaccari Neto, Sílvio Pereira, Lula da Silva, et cetera.

O imbróglio já esteve mais complicado. Parece que o PT encaminha-se para o bom senso: a definição da candidatura de Haddad, mesmo sendo empurrado por Lula da Silva goela abaixo de petistas resistentes.

Entretanto, a batalha nos tribunais vai continuar. Lula da Silva tem 24 advogados constituídos em diversas frentes, inclusive eleitoral, todos aptos a arrancarem estratosféricos honorários do ex-presidente, que tem muito dinheiro para bancá-los.

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A recaída do ministro Edson Fachin

Até há pouco tempo os feitos mais notórios da biografia do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, tinham sido o discurso de tietagem política que fez em favor de dona Dilma Rousseff, que lhe presenteou com o cargo e a homologação destrambelhada e apressada da delação premiada do bilionário dono da JBS, façanha que o ministro fez em comum acordo com o então procurador-geral da República Rodrigo Janot, delação esta que veio a ser desmascarada, tamanha a maracutaia nela envolvida. A própria Procuradoria-Geral da República pediu depois a anulação daquela delação fajuta.

À semelhança do aluno Sandoval Quaresma, da escolinha do professor Raimundo (“estava indo tão bem!”), Fachin vinha bem até pronunciar seu voto contraditório e injustificável no Tribunal Superior Eleitoral, a favor do registro da candidatura de Lula da Silva.

Na estrutura do voto, em si, não há o que reparar. Trata-se da convicção do juiz Fachin. Todavia, estranha-se o desconhecimento e o atabalhoamento do ministro Fachin sobre os pontos que adotou quanto ao famigerado parecer do comitê da ONU, que qualquer primeiranista de Direito sabe, porque são informações constantes nos manuais de Direito Internacional e até em notícias de jornais.

O que o ministro Fachin não sabe ou finge que não sabe:

Primeiro: a diferença entre o comitê que deu o parecer a favor de Lula da Silva, assinado apenas por dois de seus membros e não pelos dezoito que o compõem e o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU que, de fato, representa os Estados soberanos, as nações unidas;

Segundo: o comitê não tem papel jurisdicional e, logo, suas recomendações não têm efeito vinculante, ou seja, não são obrigatórias e, tampouco, estão acima das leis brasileiras ou de qualquer país. O comitê não pode alterar o ordenamento jurídico de qualquer país sob pena de arranhar a soberania das nações. No caso, a lei da ficha limpa, constitucional e aprovada pelo Poder Legislativo brasileiro;

Terceiro: o comitê não representa as nações e é formado por peritos independentes cuja função precípua é tão-somente fazer relatórios e não determinar. Eles exercem função burocrática e não decisória. O máximo que suas atribuições permitem é recomendar procedimentos. Recomendar não é obrigar.

Mais: no caso de Lula da Silva, o comitê sequer consultou o Brasil sobre o assunto, antes de emitir o parecer, o que contraria flagrantemente o princípio do contraditório exigido para esses casos. Mais ainda: a delegação permanente do Brasil, em Genebra, já havia expedido entendimento no sentido de que o documento do comitê não tem nenhuma praticidade quanto ao caso de Lula da Silva.

Entretanto, o ministro Fachin entendeu que Lula é inelegível, porque assim diz a lei, mas pode disputar a eleição presidencial. Ou seja, Lula é Lula, mas não é Lula. O entendimento do ministro Fachin ficou nas nuvens, isolado, até por uma questão de bom senso e lógica jurídica.

Os demais ministros do Tribunal Superior Eleitoral não podiam acompanhá-lo. Não havia amparo legal para acompanhá-lo.

Pergunta-se: qual o efeito prático para o Brasil que um candidato, Lula da Silva ou  qualquer outro, possa disputar eleição, estando legalmente impedido e cuja eleição será inevitavelmente comprometida, o diploma cancelado e o eventualmente eleito impedido de assumir?

O ministro Fachin diz que pode. E apequenou-se.

A posição do ministro Edson Fachin parece clara e indubitável: uma recaída em suas posições de tietagem política.

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Michel Temer, Aécio Neves e outros “inocentes”

“Nenhuma soma de experiência pode provar que se tem razão, mas basta uma só experiência para mostrar que se está errado” (Albert Einstein)

Os construtores de Brasília tiveram a ideia de nominar a residência oficial da vice-presidência da República de Palácio do Jaburu, aquela ave de pescoço comprido que vive a espreitar os circunstantes.

Presume-se que, se o presidente Michel Temer, que lá mora, tivesse esticado o pescoço, à semelhança do jaburu, talvez houvesse notado o gravador que Joesley Batista carregava no bolso e gravou as conversas suspeitas entre ambos, tarde da noite, nos porões do palácio.

Michel Temer diz que nada houve de ilegal naquela conversa, que é inocente, coisa e tal. É tão comovente que passa a impressão que naquela noite eles ficaram rezando o terço, lendo versículos da Bíblia e orando pelo bem dos brasileiros.

Até hoje me parece estranhíssimo que o Gabinete de Segurança Institucional e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), o serviço secreto do governo, não tenham detectado a geringonça no bolso do visitante e liberado a entrada em palácio, talvez até com um sorriso generoso dos agentes da segurança presidencial. Ou não quiseram detectar.

Um sistema de segurança pessoal do presidente da República como este não pode ser levado a sério.  É falho, é ineficiente, é tosco.

Por outro lado, o senador Aécio Neves, que se diz honesto – e não estou afirmando o contrário – também caiu na arapuca do sofisticado açougueiro dono da JBS e foi flagrado negociando com ele alguns milhões de reais que, segundo as investigações, trata-se de propina.

Aécio diz ser inocente, honesto, correto e que não é homem de pedir propina. Ah bom!

Com aquela cara de relações públicas de boite, Aécio ainda queria ser presidente da República. Caiu na desgraça, decepcionou seus 51 milhões de eleitores e agora disputa uma vaga de deputado federal, para não perder o foro privilegiado.

A presidência da República passou a ser tão banalizada que seus últimos inquilinos – Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer – estão sendo acusados de negociarem propina em suas dependências. Um horror.

É o que dizem Antonio Palocci, amigo e ministro de Lula da Silva, os marqueteiros de dona Dilma e o bilionário Joesley Batista.

Esse pessoal precisa respeitar os símbolos nacionais e aprender, pelo menos, que “a Pátria confia” em todos nós, inclusive em quem se dispõe a ser presidente da República.

Agora, dona Dilma Rousseff disputa, por Minas Gerais, uma vaga no Senado Federal. Está indo bem nas pesquisas, com grandes chances de ser eleita, mas houve impugnação da candidatura, sob a alegação de que, por ocasião do impeachment da madame, o ministro do STF Ricardo Lewandovski e o PT construíram uma maracutaia para que ela não tivesse os direitos políticos suspensos, contrariando a Constituição da República.

Einstein dizia que basta uma só experiência para atestar que estamos errados.

O presidente Temer, Aécio, Lula da Silva e dona Dilma ainda não conseguiram provar que são honestos, corretos e inocentes. As experiências ao contrário são muitas.

Os brasileiros aguardam.

araujo-costa@uol.com.br

TV Globo, Bolsonaro e falta de seriedade

Não sou daqueles que seguem na embarcação das críticas à TV Globo, simplesmente porque é a TV Globo.

Mas, convenhamos, a entrevista que o Jornal Nacional fez com o candidato Jair Bolsonaro foi um emaranhado de hipocrisia e falta de seriedade, de modo que nada acrescentou em benefício do eleitor, que esperava coisa melhor, tanto do presidenciável quanto da emissora.

Aproximou-se do ridículo a pauta da entrevista, em detrimento de assuntos urgentes de interesse da população que vive ansiosa por um Brasil melhor. Explico por que:

Apartamento funcional: em 1960, quando a capital federal mudou-se do Rio de Janeiro para Brasília, o governo Kubitscheck havia viabilizado os apartamentos funcionais para acomodar a estrutura governamental na nova capital, composta de funcionários federais, diplomatas, parlamentares, membros dos três Poderes da República, etc, por uma razão simples. Todos esses agentes públicos moravam no Rio de Janeiro e foram obrigados a mudar-se para Brasília, por força da transferência da capital e da função que exerciam no governo da República. Logo, por óbvio, precisavam de imóveis para suas residências.

O uso do apartamento funcional não é invenção do candidato Jair Bolsonaro, mas privilégio de todos os parlamentares do Congresso Nacional e até de agentes públicos do Poder Executivo.

Os parlamentares que não ocupam apartamentos funcionais moram em sofisticados hotéis pagos pela respectiva casa legislativa, Câmara dos Deputados e Senado Federal. Há leis que assim dizem e autorizam a esculhambação.

Portanto, questionar candidato, seja Bolsonaro ou outro qualquer, sobre o porquê de usar o apartamento funcional é, no mínimo, falta de sinceridade e uma forma de negligenciar assuntos de interesse da população.

Esse privilégio nunca foi tirado dos parlamentares, porque nenhum presidente da República quis mexer no vespeiro dos parlamentares que lhe dão apoio no Congresso Nacional e os parlamentares, por sua vez, não querem perder a mamata. Nunca arredaram uma palha para acabar com esse privilégio imoral.

TV Globo.  A TV Globo foi fundada em abril de 1965, exatamente um ano após a instalação do governo militar. Não é nenhuma novidade que as Organizações Globo viveram à sombra da ditadura, que lhe sustentou com publicidade oficial, tornando-a a segunda maior emissora comercial do mundo. Mais: sempre noticiou o que interessava à ditadura.

Portanto, não tem sentido a TV Globo melindrar-se porque o candidato Bolsonaro tocou na ferida e lembrou que o fundador da emissora apoiou os governos militares. Significa menosprezar a inteligência dos brasileiros. A TV Globo apoiou os governos militares, sim. Outra época, outro cenário, outra circunstância. Por que a emissora insiste em negar isto?

Comunidade GLBT. Os entrevistadores do Jornal Nacional, mais uma vez, deixaram de lado assuntos mais urgentes de interesse da população. O direito e o espaço desses segmentos sociais já estão garantidos no Brasil e no mundo, através de leis e regulamentos. Os direitos são iguais para todos, independentemente dos valores que cada um carrega dentro de si. Qual a importância de saber, numa sabatina dessa envergadura, se o candidato é contra ou a favor de uma situação que ele não vai e não consegue mudar?

Desigualdade salarial entre homens e mulheres. Esta é uma anomalia existente no mundo inteiro. Países da Europa passam por esse problema, assim como o Brasil. O Brasil precisa ajustar-se, corrigir isto através de leis e sistemas educacionais. Não é culpa do candidato Bolsonaro, nem de nenhum outro candidato que está aí disputando a eleição presidencial.

Todavia, a hipocrisia maior na entrevista foi a apresentadora do Jornal Nacional insinuar que não aceita salário menor em relação a colega do sexo masculino no exercício de função análoga. Chega a ser risível.

A apresentadora deve viver no mundo da lua. Ninguém deixa de aceitar um emprego porque o salário é menor que aquele pago a um colega, seja do sexo masculino ou feminino.

Que as mulheres têm o direito de igualdade de condições, em todos os níveis, isto não se discute, inclusive quanto ao salário. É uma conquista das mulheres e de seus movimentos justos e necessários. E as leis devem assegurar isto.

Mas estes – parece – são os assuntos que a TV Globo entende como prioritários para a solução dos problemas do Brasil.

araujo-costa@uol.com.br