Guilherme Paixão, honorável de Brejo Seco

“Não vos apresseis em compor a obra que há de conservar a essência de vossa mocidade” (Joaquim Nabuco, jurista e historiador, 1849-1910)

Dr. Guilherme Paixão da Silva/reprodução perfil facebook

Como diziam os mais velhos, os “troncos” do Dr. Guilherme Paixão da Silva estão fincados na memória da Fazenda Umbuzeiro: Mamede Manoel da Paixão e Maria do Carmo Paixão.

Já se vão, por aí, algumas décadas. Conheci Dr. Guilherme em Patamuté, en passant, muito rápido, dia de festa do padroeiro Santo Antonio. O ano se distancia no tempo.

Não houve salamaleques, tampouco qualquer aproximação.

Eu já o admirava. Embora ele não me conhecesse, mantive a lembrança de sua elegância e cordialidade.

Entretanto, já o conhecia de elogiosas referências. Quando morei em Patamuté, fui acolhido por Antonio Ferreira Dantas Paixão e sua esposa Rachel do Carmo Paixão, a generosa e querida tia Rachel.

Antonio Paixão foi incentivador de minha caminhada em direção ao desconhecido.

Recolho dos escombros da memória uma lembrança: Eu trabalhava com Antonio Paixão espichando peles de bodes nos fundos do Armazém, em dias de sábado, feira em Patamuté. Juventude difícil e pedregosa, minha pobreza beirava o extremismo. Não mudou muito.

Antonio Paixão mantinha visível orgulho do sobrinho Guilherme que foi para São Paulo e lá cresceu social e profissionalmente.    

Formado em Direito e Ciências Contábeis, fez cursos em algumas das mais respeitáveis instituições de ensino de São Paulo, dentre elas a Fundação Getúlio Vargas, Universidade de São Paulo e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Mas os sustentáculos do conhecimento de Dr. Guilherme vão mais longe e não se restringem ao formalismo curricular, de modo que não me atrevo a tecer ponderações outras sobre sua vasta experiência, mormente no campo das ideias.

A família Paixão sempre foi conhecida pela inteligência e autodidatismo. Por exemplo, Jacinto Paixão, irmão de Antonio Paixão, destacava-se pelas palavras escorreitas, apropriadas, seguras e em razão de seu conhecimento enciclopédico.  

O fato é que Dr. Guilherme Paixão da Silva voltou às suas raízes, depois de anos de exercício profissional em São Paulo. Hoje vive na Fazenda Brejo Seco nas cercanias de Patamuté rodeado de parentes e amigos.

Trata-se de ilustre e honorável habitante de Brejo Seco que enriqueceu o lugar com seu trabalho e dedicação à família.

A mocidade de Dr. Guilherme Paixão abraçou os estudos e a luta profissional em São Paulo. Lá ele compôs sua admirável obra que o fez respeitado perante todos nós, seus conterrâneos.

araujo-costa@uol.com.br  

A “justiça” do Supremo Tribunal Federal

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” (Ruy Barbosa,1849-1923).

Amigo de longa data me tem ponderado que faço papel de besta na maioria de meus escritos.

Tem razão.

Diz ele que me desgasto no tempo ao criticar agentes públicos poderosos, relapsos, desavergonhados, pequenos.

Nesta toada de anos, acabo por melindrar defensores de hipócritas de toda ordem que a grande imprensa bajuladora lhes lambe as botas.

Não sou adepto do ditado “em terra de sapos, de cócoras com eles”.

Deixemos os sapos em sua quietude. Vigiemos as injustiças.

É preciso indignar-me, ainda que poucos escutem minha indignação e a indignação de muitos que não têm voz.

É cômodo para os poderosos o silêncio dos insatisfeitos.

É utópico acreditar na suposta seriedade de agentes públicos que se dizem suprassumos da honestidade e da decência.

Os exemplos de descalabros são muitos. As obviedades pululam.

A Defensoria Pública da União “tenta absolver dois réus dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, um trabalhador ambulante e um morador de rua”, que os donos do Brasil encastelados no  Supremo Tribunal Federal insistem em dizer que são perigosos executores de atos contra a democracia e o estado de Direito (Folha de S.Paulo, 21/03/2024).

Nesse diapasão, a Defensoria Pública da União conseguiu favorecer dois famintos e desamparados réus que o Supremo Tribunal Federal diz que são perigosos golpistas.

Um acusado “vendia bonés, camisetas e água em frente ao acampamento bolsonarista no quartel-general do Exército em Brasília, onde foi preso em flagrante” (Folha de S.Paulo, 21/03/2024).

O preso disse “que não estava presente nos ataques e só foi no dia seguinte retirar as mercadorias que estavam guardadas na igreja próxima ao quartel desde 7 de janeiro”, segundo o jornal.

Ainda, segundo o jornal da mesma data,  o acusado “está passando por situação de miserabilidade, com fome”.

A Defensoria disse que teve dificuldade de encontrar o réu, “por se tratar de pessoa humilde, em situação de extrema vulnerabilidade social”, sobejamente conhecida em semáforos de Brasília cavando o ganha pão.

O acusado disse à Defensoria que “é o único responsável por dois filhos menores de idade, cuja mãe teria sido assassinada”.

O outro caso, que o Supremo Tribunal Federal entende ser perigoso golpista, é uma “pessoa em situação de rua, com problemas de saúde física e mental (esquizofrenia)”.

Todavia, enquanto isto:   

O Poder Judiciário que prende humildes e famintos é o mesmo que manda soltar perigoso traficante e lhe devolve aeronave, mansão, iate e outros bens valiosos presumivelmente comprados com o dinheiro do crime, antes apreendidos por ordem da própria justiça.

O mesmo Supremo Tribunal Federal, que prende vendedor ambulante e morador de rua, anula milionárias multas lavradas contra empresas envolvidas em corrupção mediante contratos com órgãos do governo federal.

É o mesmo Supremo Tribunal Federal que manda anular condenações de empresários super-ricos que enriqueceram ilicitamente em conluio com agentes públicos.

Embora alguns deles tenham confessado a prática espúria, o preciosismo processual permite que escapem das punições.

Tudo isto está na imprensa. Nada é novidade.

É o triunfar das nulidades e o agigantamento do poder nas mãos dos maus, de que falava Ruy Barbosa.

Mas não devemos perder a esperança.

Devemos acreditar na Justiça, sim. Sempre.

Respeitar o Poder Judiciário é dever de todo cidadão brasileiro, mas isto não significa ignorar injustiças e deixar de pugnar por uma Justiça consentânea com a lógica do Direito.

O Brasil ainda tem jeito, apesar dos gênios encimados nos pedestais de Brasília.

araujo-costa@uol.com.br    

A deslumbrada ministra que pode tudo e os alunos nus

Oxente, peraí, iapois!

A deslumbrada ministra da Igualdade Racial de Lula da Silva disse que a expressão “buraco negro” é racista (Folha de S.Paulo, 02/11/2023).

Fiquei imaginando como o jornalista, dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980) tinha razão:

“Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”

A ministra, que é a mesma que requisitou e usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir a São Paulo assistir a um jogo de futebol, quer desbancar a física, a teoria da relatividade e, por extensão, a ciência.

Sua Excelência também disse que a palavra “denegrir” é racista. A palavra consta em todos os compêndios de Língua Portuguesa e quando foi incluída na gramática não existia a idiotice do politicamente correto inventada pela esquerda gonorreica.

Pelo que se vê, a ministra não tem o que fazer. Ou nada sabe fazer, o que é mais provável.

Essa excelentíssima ministra é a mesma que foi flagrada, sem capacete, às gargalhadas, transitando na garupa de uma moto na periferia do Rio de Janeiro.

Questionada sobre à transgressão ao Código de Trânsito Brasileiro, que pune a prática com multa e retira pontos da Carteira Nacional de Habilitação do infrator, a  ministra justificou: “andar sem capacete dentro de favelas do Rio de Janeiro é um fato” (UOL, 21/06/2023).  

Presume-se que a ministra entende que a lei não é para todos.

Alunos nus

Está na imprensa.

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg), do Rio Grande do Sul, colocou alunos veteranos completamente nus para receber os calouros que ingressaram na instituição.

“A Acolhida Cidadã, como foi chamada a apresentação, incluía os alunos todos nus e foi organizada pelo diretório acadêmico da faculdade. De acordo com a Coordenação dos Cursos de Artes Visuais, a apresentação era livre e poderia ser vista por todos os públicos, visto que não incluía erotização, apesar da nudez”. (Correio, 18/03/2024).

Detalhe: a universidade é federal, custeada com dinheiro público.

O lulopetismo deve estar em êxtase com nossa política educacional.

araujo-costa@uol.com.br

Lenisse Santana, uma estrela de Chorrochó

Lenisse Santana/Reprodução perfil facebook

“Muito cedo em minha vida, ficou tarde demais”.

A frase não é minha. É de Marguerite Duras, romancista vietnamita (1914-1996).

Não é contraditório dizer isto. É olhar para trás e constatar que deixamos de dar alguns passos na ocasião própria ou demos passos tardios.

Ou, quando seguimos adiante, já não era mais tempo de dar passos.

É o embaralhamento das coisas da vida.

Conheci Lenisse na juventude, ainda Maria Lenisse Oliveira Alves. Bem depois incorporou Santana ao nome, em razão do casamento com Juracy Santana, admirável criatura que as circunstâncias da vida levaram para Chorrochó.

Juracy foi meu colega de quarto e amigo de sofrimento. Dividíamos as confidências, os segredos, as decepções.

A estrutura familiar paterna de Lenisse está em Patamuté. 

O pai Macário Alves Filho (Senhorzinho), filho de Macário Alves e de Maria Querubina dos Santos. O esteio materno assenta-se em Chorrochó.

A mãe Maria de Lourdes Oliveira Alves tinha esteio em Chorrochó.

A juventude é intransigente, rebelde, sustentáculo de tesouros, dentre esses a amizade.

As amizades amealhadas na juventude geralmente são as mais seguras, as mais puras, as mais duradoras. Por uma razão simples: surgiram longe da maldade, dos interesses.

Os jovens estão no mesmo patamar, igualam-se nos sonhos e na maneira de viver e encarar o tempo.

É na juventude que construímos a universidade da vida, fundada nas alegrias, dificuldades e tropeços.

A princípio, a família de Lenisse e Juracy constituiu-se de Cilene Cristianne de Oliveira Santana, Samira Liane de Oliveira Santana e  Nayara Cristiane Santana Nascimento.

Penitencio-me diante das críticas, se os nomes não são exatamente estes ou se os grafei com incorreções. Justifico-me, entretanto: minha memória já está esburacada.

Em Chorrochó, Lenisse e eu fomos colegas no Colégio Normal São José. A convivência ginasial – naquele tempo havia curso ginasial – se mesclou com a amizade já de antes sustentada em nossa ligação com Patamuté. Também sou de lá.

Lenisse e eu somos da mesma geração. Não fica bem revelar a idade de Lenisse, até por uma questão de etiqueta, mas como estou em idade septuagénária, isto me autoriza a dizer que já vivemos um tanto e adquirimos experiência, senão para passar adiante, mas para nosso próprio deleite.

Boa amiga, grande amiga. Lenisse tem conversa agradável, alegre, convidativa, sorriso largo. Sempre foi assim, uma estrela.

Esta é uma crônica de saudade. A saudade cutucou, sempre cutuca.

As palavras se perdem. Os sentimentos se gastam com o tempo, mas a amizade é o liame que segura as boas lembranças.   

Por isto, esta lembrança de Lenisse.   

A saudade não ficou tarde demais.

araujo-costa@uol.com.br

Obituário, adeus e liberdade de chorar

Maria Rita da Luz Menezes/Álbum de família

Guardo o envelope amarelado pelo tempo e a tristeza do conteúdo.

Naquele tempo – 1997 – ainda se escreviam cartas aos amigos, parentes, aderentes e conhecidos. Hoje, não mais. O progresso e as coisas modernas tolheram as formas de sustentar as amizades, cultivar as lembranças.

A douta professora Maria Rita da Luz Menezes dava-me a notícia do falecimento do esposo Francisco Lamartine de Menezes (1931-1997).

Maria Rita da Luz Menezes e Lamartine constituíram família exemplar, que sustenta suas raízes, como convém às proles bem estruturadas na educação e na firmeza de caráter.

Paulo José de Menezes, Geraldo Robério de Menezes, Humberto Antonio Pacheco de Menezes, Thereza Helena Cordeiro de Menezes e Ivana Lúcia Menezes de Menezes nasceram dessa união.   

Agora, 27 anos depois, não mais através de carta, espalha-se a notícia do falecimento de Maria Rita da Luz Menezes.

Março o mês do adeus de ambos.

A crueldade desta notícia ruim teve o condão de entristecer todos nós, amigos e parentes de Da Luz.

Todavia, as peças que nos faltam à memória contribuem para dificultar o entendimento da grandeza de Maria Rita da Luz Menezes para a educação, a história e a estrutura familiar de Chorrochó.

A saudade e a lembrança cutucam, fragilizam os momentos, tingem as páginas do tempo e nos dão a medida de nossa pequenez diante da vida e da morte.

A liberdade de chorar se somou ao adeus, à despedida.

Deixo pêsames a todos da família de Maria Rita da Luz Menezes.

araujo-costa@uol.com.br

Lembrança de Curaçá: Ponciano Pereira Rêgo

Ponciano Pereira Rêgo/Reprodução facebook/Ponciano

“Minha lembrança mais intensa é a da minha aldeia.” (José Saramago, escritor português, 1922-2010)

Muito cedo na vida, conheci Ponciano Pereira Rêgo.

Tenho a data e local: 01/03/1974, Rua Coronel Pombinho, Centro de Curaçá.

Deu-se no contexto em que o prefeito Theodomiro Mendes da Silva buscou-me em Chorrochó para com ele trabalhar em sua primeira administração de Curaçá (1973-1977).  

Eu vivia em Chorrochó, simpático município sertanejo do Submédio São Francisco. Desfrutava do aconchego das admiráveis famílias Pacheco e Menezes, que sustentavam a vida política e as tradições do lugar.  

Theodomiro me captou, como se diz hoje. Coisas da amizade, coisas de amigos, coisas das circunstâncias.

Numa manhã Theodomiro me apresentou a Ponciano e teceu, ali mesmo, alguns comentários sobre aquele ilustre filho de Curaçá, que passei a admirá-lo.

Naquele tempo, Ponciano já vivia às voltas com as demandas do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Curaçá que à época, salvo engano, ainda era administrado pela Fundação SESP, do Ministério da Saúde.

Mais tarde, em 1998, a gestão do órgão foi transferida ao município e daí em diante todos sabem a história escrita por diligentes e responsáveis gestores do SAAE, certamente aprendizes de Ponciano Pereira Rêgo, a exemplo de: Rosendo dos Santos Filho, Dione Maria Félix de Oliveira, Jean Marcelo de Amorim Aquino Ramos, Maurízio Bim e Roque José Soares Ferreira, dentre outros igualmente admiráveis que se estão por lá até os dias de hoje.

Há registro – e não sei se estou bem certo disto – que o SAAE de Curaçá foi criado em 1963 na administração do prefeito Gilberto da Silveira Bahia, ícone da história e do mundo político de Curaçá.  

O SAAE é uma respeitável instituição que já alcança seis décadas. Como se vê, o tempo atesta sua credibilidade.

Nestes dispersos fragmentos, ocupo-me de Ponciano Pereira Rêgo, que se destacou na sociedade curaçaense e se firmou como exemplo de caráter e decência.

A última vez que vi Ponciano foi em 1975. Nunca me esqueci de sua urbanidade, educação, presteza e exemplo de vida para toda e qualquer geração.

Observação necessária:

Tem razão o ilustre mestre Reginaldo Vieira, que leu esta crônica e me socorreu, em respeito à História de Curaçá.

Gilberto da Silveira Bahia foi prefeito no período de 1959 a 1963 e José Félix Filho (Zé Borges) foi prefeito em dois períodos: de 1963 a 1967 e de 1971 a 1973.

A criação do SAAE vincula-se ao período de José Félix Filho.

O equívoco deste cronista ficou claríssimo e não pode arranhar a História do município.

Faço a observação e agradeço a contribuição de Reginaldo Vieira.  

araujo-costa@uol.com.br     

Retratos de Patamuté, retratos da vida.

Da esquerda para direita: D. Didi, Elzinha e Ambrosina

Esta foto foi reproduzida do perfil de Nelson Cano no facebook.

Veem-se da esquerda para a direita, em Patamuté: D. Didi, Elzinha (esposa de Nelson Cano) e Ambrosina.

É um retrato da vida, retrato de um tempo em Patamuté. Coisas que o tempo atesta, sedimenta, pereniza.

Delanidia Matos (D.Didi) nasceu em Patamuté e se mudou para São Paulo ainda muito jovem. Constituiu família na terra bandeirante e por lá vive até hoje, graças a Deus.

A idade de D. Didi não vem ao caso dizer aqui, mas em respeito à História de Patamuté e a título de registro, presumo que esteja na casa dos noventa e três anos.

Estar na casa de noventa e três anos não significa dizer que a idade seja exatamente esta. Pode ser mais, pode ser menos.

Em Patamuté, a família de D. Didi fazia parte do que os antigos costumavam chamar “boa família”, ou seja, gente decente, ordeira, de caráter irrepreensível: a família Matos.

Os Matos de D. Didi são da mesma estirpe do coronel Galdino Ferreira Matos (1840-1930), primeiro chefe político de Patamuté.  

Por aí se vê, que D. Didi vem de família tradicional e, como tal, é um esteio que ajuda a sustentar a história de Patamuté.

Galdino Ferreira Matos está enterrado na igreja de Santo Antonio de Patamuté. O enterro em igrejas era uma prática vinda dos portugueses, muito comum na Europa.

D. Didi tem um filho – Nelson Matos Cano – paulistano nascido no bairro do Ipiranga, em São Paulo, que se interessa muito pela história de Patamuté. E história, aqui, quer significar também cultura, tradição, costume do lugar e outras coisas mais.

Ambrosina era casada com Mário Matos Lopes, filho de Maria Matos. Mário substituiu a mãe na direção da agência dos Correios de Patamuté, extinta na década de 1990.

Ambrosina era hospitaleira, espirituosa, alegre, sempre atenciosa, sorridente.

Houve um tempo em que eu frequentava a casa de Ambrosina e Mário. Tempo de boas conversas, conversas sadias, saudosas conversas.

Os filhos de Ambrosina e Mário ainda estão por aí, graças a Deus: Antonio Nilo Ferreira Lopes, Odete Matos e Solange Matos.

Post scriptum

Nelson Matos Cano leu esta crônica e me socorreu:

“D. Didi completou 96 anos neste mês de fevereiro. A foto é de 1980”.

Obrigado, Nelson. 

araujo-costa@uol.com.br

Conversa do envelhecer

Já se vão, por aí, algumas décadas.

Na década de 1970 havia uma pensão na Rua Brás Cubas, centro de Santo André, coração do ABC paulista. A pensão não existe mais. O progresso imobiliário extirpou-a do local, mas não conseguiu extirpar as lembranças e a saudade dos amigos de antanho.

A pensão abrigava rapazes, geralmente estudantes e alguns senhores circunspectos, que ainda cavavam a vida.

Morei lá, vivi lá, aprendi muitas coisas lá. Dessas, pratiquei umas, abandonei outras e tenho dúvidas se acertei ou errei ao não ter seguido outras tantas.

O ambiente era central e acolhedor, vizinho à bela e histórica catedral diocesana de Nossa Senhora do Carmo, perto de tudo e inserido nos acontecimentos da fervilhante região do ABC. Na catedral está enterrado D. Jorge Marcos de Oliveira, primeiro bispo da diocese de Santo André.

Como é praxe nesses ambientes de juventude, ali nasceram amizades, sedimentaram-se experiências, dissolveram-se arrogâncias e, mais do que isso, aprendiam-se modos de viver.

Aliás, toda pensão e seus quartos têm modus vivendi, regras sociais sadias criadas por seus ocupantes.

Toda pensão é um simulacro de nossa sociedade, às vezes conturbada, outros vezes tranquila, quase sempre incompreensível, mas aceitável.

Lembro um amigo, Elias Pedro dos Santos.

Convivemos lá na pensão, inquietos, barulhentos, combativos. Ele já professor de uma respeitável instituição paulista; eu ainda estudante, sem nenhuma âncora profissional, impaciente com as incertezas da vida.

Elias é um sujeito que cultiva as amizades, preocupa-se com elas e, sobretudo, não as abandona. É intransigente na defesa de seus amigos. Quase quatro décadas depois me localizou em São Bernardo do Campo  e honrou-me com a sua visita.

Senti-me vaidoso, rejuvenescido. Como nos tempos de pensão, Elias continua inquieto, buliçoso, bem humorado.

Mas a passagem do tempo lhe trouxe uma marca: os cabelos homogeneamente brancos, tingidos pelo tempo. Marca que, além da experiência, significa fidelidade aos seus princípios de berço pernambucano e nordestino. 

O escritor Mario Prata adotou uma teoria um tanto lógica e curiosa: o período da “envelhecência”. Diz ele que essa fase da vida se situa entre a maturidade e a velhice, vai dos 45 aos 65 anos.

Sendo assim, nela já me incluí. É a preparação para a velhice, aduz o escritor, assim como depois da infância segue-se a adolescência, que é a porta de entrada da maturidade.

Então, creio, a “envelhecência” traz reflexão e inquietude. Inevitável olhar para trás e perceber o diluir de muitas esperanças, até mesmo as idealizadas em quartos de pensão.

Inevitável antever o futuro e observar o pouco tempo que resta para a realização dos sonhos que ainda pretendemos alcançar. A construção desses sonhos claudica diante da exiguidade do tempo. O horizonte se distancia, mas a coragem persiste. Os sonhos também.

Mas o certo é que na “envelhecência” adquirimos envergadura para não aceitar mais algumas coisas. Por exemplo, que pessoas empoleiradas no poder nos empurrem goela abaixo coisas que elas se acham no direito de fazer. Os governantes gostam muito disto. Adoram empurrar imbecilidades em nossos orifícios.

Naquele tempo da pensão de Santo André lutávamos por um Brasil melhor. Hoje os momentos de reflexão insistem em dizer que fracassamos.

A única certeza é que valeu a pena a sequência dos tropeços e a poeira que sacudimos ao caminhar em direção aos nossos sonhos.

araujo costa@uol.com.br

Josafá Pires Belfort e as marcas do adeus

Josafá Pires Belfort/Crédito álbum da família

A Secretaria Municipal de Educação de Chorrochó noticiou o falecimento de Josafá Pires Belfort (Fafá) ocorrido em 26/02/2024.

Em 19/11/2021, deu-se o falecimento de José Pires Belfort (Dedé), irmão de Fafá, ambos cidadãos de conduta ilibada e caráter irrepreensível, educados nos moldes da família tradicional sertaneja.

Dedé morava em Curaçá. Lá edificou a nobreza de sua família.

Josafá era filho de Joanna Silvina Belfort e de Agatão Pires Belfort, que constituíram família valorosa e viveram nos domínios do município de Chorrochó, onde ostentavam exemplos de honestidade, respeito e elevado conceito junto a todos da região.   

Da estrutura que compõe o núcleo familiar de Joaninha e Agatão fazem parte Enok Pires Belfort, José Pires Belfort, Josafá Pires Belfort (falecidos), Maria das Graças Silva Belfort e Leontina Maria de Jesus.

A família ostenta qualidades de boa índole, respeito, urbanidade e decência.

Na esturricada caatinga da Fazenda Estreito, limites de Chorrochó e Curaçá, cresci ouvindo de José Januário da Silva elogiosas referências à família de Agatão. Eles eram muito próximos, diziam-se parentes.

A consideração contava muito no viver das gerações passadas. A amizade era o esteio, o sustentáculo.

Armadilha do tempo: as referências de infância, que José Januário falava nas caatingas do Riacho da Várzea, se confirmaram na idade adulta. Em Curaçá, eu e Dedé ficamos amigos. Mas esta é outra história com muitos detalhes. Hoje falamos de despedida, da despedida de Josafá.

A amizade tornava o caminhar mais leve, sustentava as boas conversas.

O enterro de Fafá estava previsto para acontecer às 10h de 27/02/2024 no Cemitério do Macururé Velho, segundo publicação da família.

Ficam as marcas do adeus, a crueldade da despedida.

Pêsames a todos da família de Fafá.

Que Jesus Cristo, redentor do mundo, lhe indique o caminho e Deus o ampare.

araujo-costa@uol.com.br

A Câmara de Chorrochó e uma conversa com leitores

Vista parcial do plenário da Câmara de Chorrochó/Reprodução facebook/Câmara Municipal

Um leitor das bandas do simpático Estado de Sergipe me faz alguns questionamentos quanto à matéria deste blog publicada em 07/01/2024 versando sobre aditivos da Câmara Municipal de Chorrochó.

A matéria saiu com o título A Câmara Municipal de Chorrochó e o cipoal de aditivos.

O leitor me pergunta se alguns opositores da atual gestão municipal de Chorrochó me abasteceram com as informações que instruíram a matéria.

Não. Não foi necessário.

As informações que embasam quaisquer matérias deste blog sobre Chorrochó são obtidas através de fontes confiáveis sob o ponto de vista jornalístico, de modo que tais fontes não se situam necessariamente na oposição ao prefeito. Mais: as informações são também estribadas em documentos.

A credibilidade da matéria jornalística depende mais de quem escreve do que, propriamente, de informações colhidas ao sabor dos ventos políticos, das tendências e dos achismos.

Ademais, quem costuma ler meus textos sabe que nunca levei a sério a oposição de Chorrochó, mormente nessa contínua safra de prefeitos produzidos por Barra do Tarrachil. A oposição desse período sempre me pareceu “faz de conta”.

Meu conceito de oposição é mais elástico. Coaduna-se com vigilância diária, fiscalização, tenacidade de propósitos, críticas construtivas, aperfeiçoamento de ideias e indicação de rumos. Tudo que falta à oposição de Chorrochó no meu modesto entender.

A sabedoria política diz que quem faz oposição não dorme, não cochila.

Por outro lado, entendo que o jornalista deve escrever com responsabilidade e os leitores devem questioná-lo, sim.

O dever de informar situa-se acima da pequenez político-partidária. O comentário jornalístico deve distanciar-se de toda e qualquer tendência que descambe para o fanatismo e incompreensões.

Quanto à matéria sobre os aditivos da Câmara de Chorrochó, o leitor entendeu que se tratava de opinião injusta com inevitáveis reflexos na direção da Edilidade. Noutras palavras, quis dizer: uma opinião disfarçada, subentendida, inoportuna.

Não foi opinião injusta. Não podia ser opinião injusta. Não foi disfarce. Não podia ser disfarce.

Divulgar fatos sustentados em atos legais da Câmara de Chorrochó não pode ser interpretado simplesmente como uma opinião.

Não há viés político na matéria. Não há interesse deste blog em imiscuir-se na política de Chorrochó, até mesmo tendo em vista a falta de importância deste escrevinhador no contexto do município.

Minha influência na política de Chorrochó e nada é a mesma coisa.

O leitor foi mais além para insinuar que vislumbrava na matéria o intuito de “queimar” a atual presidente da Câmara, Sheila Jaqueline Miranda Araújo.   

Trata-se de interpretação enviesada da matéria. Não tenho o poder de ofuscar o brilho de nenhum político de Chorrochó.

Tenho admiração à família de Oscar Araújo Costa e Umbelina Miranda Araújo (D. Bela) e, por consequência, também à sua descendência, sem exceção, incluída neste contexto, a memória do ex-prefeito José Juvenal de Araújo, decente, probo, essencialmente justo com seu povo.

Tenho predileção e respeito pelos filhos de José Juvenal: Sheila Jaqueline Miranda Araújo e Oscar Araújo Costa Neto, que vêm sustentando, com altivez, a tradição e o patrimônio político e eleitoral da família.

Considero-os todos sérios, impolutos e de caráter irrepreensível.

Estes são os fatos. Esta a realidade.

Não há razões para contorcionismos de interpretação.

Assim, entendo esclarecidas eventuais dúvidas que tenham surgido com o artigo A Câmara Municipal de Chorrochó e o cipoal de aditivos.

araujo-costa@uol.com.br