Em Curaçá, uma boa notícia

“Eu, como intelectual, tenho o dever de falar, nem que não tenha ninguém para ouvir”  (sociólogo Esmeraldo Lopes)

Nesses últimos dias em Curaçá, sertão da Bahia, não se fala noutra coisa, à exceção da  ararinha azul, que voltará a ser ilustre habitante da caatinga, possivelmente no próximo ano.

Assunto importante e caro aos curaçaenses, aos baianos e aos brasileiros, embora alguns já tenham introduzido uma polêmica que pode contribuir para ofuscar o brilho da chegada das ararinhas em território curaçaense: a informação de que o Catar, país da península árabe, estaria disposto a investir em Curaçá na esteira da famosa caatingueira ararinha azul e isto não seria bem vindo para alguns.

O abalizado sociólogo curaçaense Esmeraldo Lopes opinou sobre os noticiados e possíveis investimentos do Catar em Curaçá. Fez uma preleção, que está enriquecendo o debate acerca da ararinha azul e os danos que eventualmente seriam causados ao município com tais interesseiros investimentos.

Confesso que não estão claras essas objeções para este insignificante escrevinhador.

O insigne sociólogo é mestre em quaisquer assuntos de Curaçá, de sorte que sua opinião merece acolhida para ponderações.

Por outro lado, afigura-se emocionante a matéria escrita por Yara de Melo Barros, que desempenhou papel importante na preservação da ararinha de Curaçá, espécie ameaçada de extinção.

O título da matéria (“O sertão resiste no corpo da ararinha de Curaçá”)  por si só merece uma reflexão. Uma lição de grandeza, dedicação, profissionalismo e humildade.

A matéria é enriquecedora. Ei-la, para quem ainda não teve conhecimento:

https://www.oeco.org.br/colunas/colunistas-convidados/o-sertao-resiste-no-corpo-fragil-da-ararinha-de-curaca/

No mais, entendo que a ararinha azul trouxe um quê de nobreza para nossa combalida Curaçá, que está precisando de boas notícias.

araujo-costa@uol.com.br

Uma consideração sobre “Em Curaçá, uma boa notícia”

  1. Não desejo nesse meu comentário, estabelecer polêmica, nem tecer críticas e duvidas das mais variadas que tenha, apenas buscando entender certas inquietações, que considero talvez fora do tempo. Mas lendo o texto de Yara de Melo Barros, avalio que o sentimento de conhecer, cuidar, amar uma espécie em extinção me emocionou. Como se constrói laços efetivos com nossa Curaçá daqueles que de fora vem e aí aprende a gostar e vive efetivamente o desafio de lutar pela sobrevivência no passado de apenas uma espécie e quando essa única espécie deixou de ser vista, ela ainda retornava a vigília ao ninho na esperança de rever. Esse gesto tem uma significância a meu ver extraordinário, da importância da preservação, que talvez nós filhos de Curaçá e principalmente muitos que viveram anos e anos fora, não tenha a dimensão do significado da Ararinha Azul no nosso “Torrão” como bem empregava esse termo o filho ilustre Zito Torres.
    Participei ontem desse momento novo na história da Ararinha Azul (Cyanopsitta spixii) com repatriamento de 52 filhotes, que ficarão em um viveiro readaptando para no futuro serem soltas no seu habitat natural da espécie, na caatiga de Curaçá.
    O retorno das Ararinhas começa despontar apoios, gerar espectativas e necessidades.

    Hoje a escola Chapeuzinho Vermelho, onde estudam crianças Educação Infantil e Fundamental I, foi visitada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP) e o Prefeito, foram oficializar a escola como a escolhida para fazer intercâmbio de troca de experiência e estabelecer concurso de arte. A Diretora da escola em sua saudação, ressaltou “que o voo da Ararinha no seu retorno a seu habitat, se reverta de grandiosidade, potencializando desenvolvimento, a cultura, a biodiversidade, fortalecendo a história do nosso município e que cada Curaçaense tome consciência da responsabilidade de valorizar o histórico retorno da Ararinha”

    Por isso, entendo que por mais que tenhamos ressalvas, não podemos ter receio de apostar na possibilidade desse feito tornar nosso município mais alviçaleiro.
    Por fim citarei uma profecia do pai “A esperança de Curaçá não é verde, é azul”. (Zé de Roque)

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