“O sistema de ganhar imprensa pelo facilitário é a compra pura e simples de jornalistas” (Jornalista Carlos Brickmann, 1944-2022).
O jornalista Carlos Brickmann, que entendia tudo de jornalismo e de jornalistas vendáveis e compráveis, atento observador de redações de órgãos de imprensa, escreveu A vida é um palanque (Editora Globo, 1994), que fala de jornalistas de princípios éticos flexíveis, comprados “simultaneamente por um político e por seu adversário”.
Daí, dizia Carlos Brickmann, “os dois pagarão e um será logrado”. É “o compre e não leve”.
Noutras palavras, uma desfaçatez.
Quem é atento ao dia a dia da imprensa descobre facilmente porque jornalistas e comentaristas elogiam determinado político, esteja no governo ou não, e tempos depois, até mesmo dias, passam a espinafrá-lo e elogiar o lado que eles criticavam.
Os casos pululam. Agridem a lógica do jornalismo sério.
Quando apresentadores e comentaristas bajulam muito determinado político, aí tem!
O pressuposto do bom jornalismo é não ter lado, não misturar a ideologia do profissional com a seriedade da informação.
Quem quebra essa regra, evidente que está submerso nos vícios de seu caráter flexível e abominável.
Mesmo eventualmente contratado para responder pela assessoria de imprensa de qualquer político, o jornalista deve manter a distância entre seu pendor político-partidário e a verdade da informação.
A mistura da ética com dinheiro geralmente descamba para a ruína de caráter.
araujo-costa@uol.com.br
Parabéns pelo texto e pelo tema abordado. Infelizmente, o que temos visto, na imprensa nacional e extranacional são casos gritantes de “jornalistas ou jornalismo sob paga” A discussão do fato, em si mesmo, fica sempre negligenciada.
Antonio Mário Bastos
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