O lamaçal do Supremo Tribunal Federal

“Brasil de ontem e de amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta.” (Rui Barbosa, jurista baiano, 1849-1923)

Decisões monocráticas gritantemente ilegais e arrevesadas de ministros vaidosos do STF, referendadas pelo Tribunal, embora contrárias à Constituição da República, sempre foram exaustivamente elogiadas por alguns setores da imprensa que confundem jornalismo com balcão ideológico e condutor para enriquecer as empresas de comunicação.

Agora, escancara-se, vergonhosamente, o desvio de conduta de alguns desses tão elogiados ministros que empurraram o STF para o lamaçal da imoralidade.

O STF está na lama, submerso na indecência e na vaidade de alguns de seus integrantes, arrogantes e despreparados para a magistratura, que se acham donos do Brasil.

Dane-se o Brasil, danem-se os brasileiros. Dane-se a moralidade.

Convenhamos, uma Suprema Corte que processa e até prende autista, morador de rua, vendedor de água em semáforos e cadeirante que se sustentava com um salário mínimo, sob o argumento de que são perigosos arquitetos de golpe de Estado, não pode ser constituída, no seu todo, de juízes sérios.

Uma Corte Suprema que relativiza direitos fundamentais, espezinha cláusula da Constituição Federal e pretende devassar o sigilo da fonte jornalística, não assegura, propriamente, direitos da sociedade, mas converte-se em simulacro de ditadura.

Silentes, onde estão esses jornalistas defensores dos arranhões ao direito, diante dos escândalos que agora vieram à tona?

Se o que aconteceu ou está acontecendo no STF não for corrupção, faz-se necessária a revisão dos dicionários e mudança do conceito de dicionarista.

Mais, ainda: mudem-se os princípios milenares de ética e irrepreensibilidade de caráter.

Todavia, nem tudo está perdido.

Tem-se esperança de que o Supremo Tribunal Federal, que os brasileiros tanto respeitam – ou respeitavam – recupere sua credibilidade e restitua a Justiça e a estima à sociedade.

A atual composição do STF conseguiu a façanha de rebaixar o conceito da Instituição, empurrando-a ao despenhadeiro da vulgaridade e afastando o respeito e a moralidade.

Contudo, tem-se esperança que o STF que, dentre seus pecados, se transformou em gabinete político, retome seu dever constitucional e liberte-se da pequenez em que se encontra, olhe para trás e se espelhe nos grandes e irrepreensíveis ministros que por lá passaram e enriqueceram a história do Poder Judiciário do Brasil.  

Como se vê, o edifício do STF está fisicamente aberto, mas o Tribunal está moralmente fechado.

Vai demorar um longo tempo para limpar a fétida sujeira das entranhas do STF.

araujo-costa@uol.com.br   

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