O “comandante” e “conselheiro” Otto Alencar

Senador Otto Alencar, PSD-BA/Senado Federal

Parece não haver dúvidas, pelo que se sabe até aqui, que a rede de maracutaias financeiras engendrada pelo banqueiro Daniel Vorcaro tem fortes tentáculos na Bahia.

E, salvo engano, vem de longe.

A EBAL-Empresa Baiana de Alimentos, responsável por uma rede de supermercados públicos foi privatizada em 2018 e vendida para um grupo com base em São Paulo. Com ela foram-se as Cestas do Povo tão fundamentais para os baianos.

A Cesta do Povo foi criada em 1979 pelo então governador Antonio Carlos Magalhães (ACM).

Ou seja, já sob o domínio dos governos do PT, a gestão do excelentíssimo Rui Costa vendeu a estatal Cesta do Povo e, a partir daí o empresário Augusto Ferreira Lima, que tem livre trânsito no feudo petista e depois se associou a Daniel Vorcaro, transformou o Credcesta em eficiente ferramenta de expansão do Banco Master.

O Credcesta foi estruturado para operar com exclusividade o crédito consignado dos servidores estaduais da Bahia.

O ex-governador e senador Jaques Wagner era, à época, Secretário de Desenvolvimento da Bahia e capitaneou o negócio que, segundo ele, foi uma maravilha.

E o que o senador Otto Alencar (PSD) tem com isto?

Aparentemente nada.

Ocorre que, de fervoroso carlista, sustentado e pendurado nas rédeas da política de ACM, Otto Alencar passou a ser lulista arraigado, de modo que se trata de um político camaleão, que muda de coloração em consonância com o ambiente e interesses.

Otto Alencar adora apadrinhar parentes no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCM-BA), o que, por extensão, beneficia a si próprio.

Consta que Otto Alencar tem uma rede de amigos prefeitos, ex-prefeitos e membros de Câmaras Municipais nos 417 municípios baianos, em razão de ter sido conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios durante seis anos.

Lulista espalhafatoso, Otto Alencar é defensor das políticas do PT e, talvez aí, tenha nascido a suposta proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, que o chama de “comandante” e “conselheiro”, o que o senador nega (O Globo/UOL, 19/09/2026).    

Mas esta história de “comandante” e “conselheiro” talvez agasalhe alguma relação dele com o banqueiro, ainda que tênue e mesmo superficial, considerando que na Bahia petistas graúdos estão envolvidos, segundo as investigações em andamento. É o que diz a imprensa.

Todavia, nesse lamaçal do Banco Master, alguém já viu algum político ou ministro do Supremo Tribunal Federal admitir envolvimento com Daniel Vorcaro?

Até mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL) se nega a dizer que teve relações financeiras com o banqueiro. E parece que tem.

araujo-costa@uol.com.br

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