
O UOL publicou em 03/04/2024, com estardalhaço, o caso dos respiradores do Consórcio Nordeste.
Em que consiste a novidade?
Nenhuma. Notícia requentada, fato já conhecido.
Já em 2021 era público e notório o escândalo que envolveu o então governador Rui Costa, do PT da Bahia, hoje todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil de Lula da Silva, o maioral de Caetés.
Naquela ocasião o escândalo frequentou as páginas dos jornais exaustivamente. Deu em nada. Nem vai dar desta vez.
Rui Costa era presidente do Consórcio Nordeste e se envolveu nesse quiproquó que pode respingar negativamente em sua biografia.
Agora se sabe, com mais detalhes, segundo o UOL:
Rui Costa comprou 300 respiradores de uma empresa “fundada para distribuir medicamentos à base de canabidiol”. Noutras lavras: derivados de maconha;
Custo dos respiradores: R$ 48.748.575,82;
A empresa recebeu o valor adiantado e não entregou sequer um respirador. Dinheiro saído dos cofres públicos, claro.
Em 2022 a dona da empresa fez delação premiada, que foi homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão da prerrogativa de foro de Rui Costa.
Em resumo, a delatora disse que:
Devolveu R$ 10 milhões e apresentou extratos das transferências de dinheiro para os intermediadores do negócio;
Faltou dizer onde estão ou foram parar os outros mais de R$ 38 milhões;
“O contrato foi redigido de forma desfavorável ao governo da Bahia” e “a negociação só avançou porque tinha a autorização do então governador Rui Costa, que assinou o contrato”;
A empresa não possuía a documentação exigida para importação de equipamentos hospitalares;
“Essa documentação nunca foi solicitada por nenhum agente vinculado ao governo e não foi empecilho à contratação”;
O negócio foi viabilizado por um amigo de Rui Costa e de sua mulher Aline Peixoto, enfermeira e funcionária da secretaria estadual de saúde da Bahia e hoje conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia;
As tratativas com a empresa deram-se através do secretário da Casa Civil de Rui Costa, Bruno Dauster;
A empresa “não possuía qualificação nem experiência na importação de respiradores pulmonares”;
A empresa tinha apenas dois empregados e capital social de R$ 100 mil;
Foi Rui Costa quem passou o contato da empresa para seu secretário da Casa Civil e recomendou a compra dos respiradores;
O contrato foi redigido pela empresa e não pelo governo e “não previa nenhuma garantia caso os respiradores não fossem entregues e essa garantia nunca foi exigida nem mencionada por nenhum agente do Consórcio Nordeste”;
Em 29/07/2021 este blog publicou matéria neste sentido com o título Os respiradores de Rui Costa.
Lá uma citação da Revista Veja.
A revista Veja apurou: “O negócio, fechado a toque de caixa através do WhatsApp e com pagamento adiantado, previa a compra e a distribuição dos equipamentos aos nove estados da região”. A revista vai além: “O negócio, desde o início, foi planejado para dar errado” (Veja, 23/07/2021).
Mais, segundo a Veja: “A microempresa, como se sabe, na verdade aplicou um monumental golpe: sumiu com o dinheiro e nunca entregou as máquinas”.
araujo-costa@uol.com.br